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Ruanjo quer vingar em nome próprio

A marca própria Ruanjo será o grande foco da empresa Maria Anunciação Fonseca da Costa, numa altura em que o private label representa 95% da produção. A exportação continua a ser o grande motor da especialista em confeção, que tem na Holanda o seu principal mercado.

Rute Dourado e Maria Costa

Fundada em 1998, a empresa liderada por Maria Costa exporta 70% do que produz, tendo a Holanda como mercado mais antigo e consolidado, passando também pela Inglaterra, França, Alemanha e EUA. Neste momento, o private label representa 95% da atividade da empresa e, por isso, o próximo passo será desenvolver e internacionalizar a marca própria Ruanjo. «Com efeito, as feiras que fizemos foram mais dirigidas ao private label», admite a CEO.

A Ruanjo foi criada dois anos após o nascimento da produtora de vestuário com o objetivo de «criar produtos básicos de sportswear com muita qualidade, com preços mais acessíveis. É a gama média-alta, mas sem preços exorbitantes. Qualquer pessoa que privilegie a qualidade e que não tenha disponibilidade económica para chegar a uma gama muito alta, consegue aceder a uma gama média-alta e ter, mais ou menos, o mesmo produto, com um preço mais razoável», explica. A procura por vestuário em malha tem aumentado, acrescenta. «Há uns anos, vestir malha era para andar em casa ou ir ao parque. Atualmente não… Já se vê as malhas como um material de conforto que não foge necessariamente da moda. Há muitas coisas que se podem fazer em malha, que são fashion e confortáveis», assegura (ver Ruanjo ganha na antecipação).

Internacionalização é o motor

As feiras são «essenciais» para a internacionalização da empresa, sendo que a Maria Anunciação Fonseca da Costa marca presença na Fashion SVP, em Londres, e na Modtissimo, no Porto. «À dimensão da minha empresa, fui procurando oportunidades no Modtissimo», conta Maria Costa.

Há um ano a trabalhar na empresa está a filha de Maria Costa, Rute Dourado, recém-licenciada em Economia, que é a atual diretora comercial da especialista em confeção. «Fiz pesquisas por mim própria, fui procurar clientes em vários pontos do mundo, nos EUA, na Inglaterra, na França… Por um lado, temos que perceber qual o mercado que melhor se adequa ao que oferecemos e, por outro, acho que temos de fazer uma pesquisa vasta e não nos limitarmos a um só sítio», esclarece.

Dentro de portas, a produtora de vestuário responde aos processos de desenvolvimento, modelação, corte, confeção e embalamento, criando «uma gama [de vestuário] de malha circular direcionada para o casual e também para alguma prática de desporto, desde o fitness a t-shirts e sweatshirts. Os 30% dedicados ao mercado nacional são também «interessantes», garante a CEO. «Trabalhamos com a Sonae, com o grupo Sport Zone e para pequenas marcas portuguesas muito interessantes como a Oiôba. Fazemos o fardamento da pluricosmética, por exemplo. São diferentes clientes mas todos eles interessantes», afirma.

Crescer para poder contratar

Atualmente, a Maria Anunciação Fonseca da Costa emprega 25 pessoas e, admite a CEO, há disponibilidade para contratar mais. «Se houver um crescimento sustentável, vamos ter que contratar pessoas em todas as áreas, mas não podemos contratar só porque sim. A parte social é algo que me preocupa bastante. Normalmente, quando contrato alguém, quero contratar por um longo tempo, para podermos fazer uma equipa coesa e novos elementos e possam progredir. É assim que funcionamos», explica.

O volume de negócios da empresa ronda o meio milhão de euros e «até meados do próximo ano», o objetivo é duplicar o valor. Mensalmente, fabricam uma média de 15 mil peças, mas podem «aumentar a quantidade produzida com facilidade. Temos infraestruturas suficientes para o fazer e temos possibilidade de aquisição de novas infraestruturas», admite a CEO.