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Rublo em queda lesa retalho

Os consumidores que tentaram comprar iPads ou iPhones no website da Apple receberam uma mensagem “Voltamos em breve”. Com o rublo a cair ao ritmo mais rápido desde os catastróficos anos 1990, a Jaguar e a Land Rover anunciaram a suspensão das entregas de carros aos concessionários russos, pelo menos temporariamente. «É mais rentável para os produtores e revendedores de automóveis pararem as vendas num momento de instabilidade da moeda e aguardarem até que a situação estabilize», explicou Oleg Datskiv, diretor-geral do portal automóvel online Autodealer.ru. Falando em nome da empresa Rolf, que tem vários concessionários nos arredores de Moscovo, um vendedor disse que já pouco havia para vender, com a maioria dos modelos esgotados ou em vias de esgotar. Isso não impediu as pessoas de tentar. Lyong Din, um imigrante vietnamita com 44 anos de idade, espera do lado de fora de um concessionário Mercedes no centro de Moscovo. Din afirmou que ainda esperava conseguir negociar os seus rublos para comprar uma viatura. «É com isto que eu vou gastar o meu dinheiro antes que o rublo caia ainda mais. É um presente de Ano Novo antecipado, para a minha esposa», acrescentou. Mas onde os stocks ainda estão disponíveis, os preços estão a subir. «A única coisa que podemos fazer até agora é aumentar os preços dos nossos carros. O euro está a prejudicar-nos, obviamente», revelou Valery Kakirov, 43 anos, gerente sénior de um concessionário Mercedes Benz a apenas alguns passos do Kremlin. A Acort, uma associação russa de retalhistas, prevê que os primeiros meses de 2015 sejam marcados por aumentos de preços na ordem dos 14,5% a 15,0%. «A subida dos preços será sentida ao longo de janeiro, após as férias, e no início de fevereiro. A medida em que a debilidade do rublo afete os preços, demorará um pouco mais de tempo para perceber», sustenta Andrei Karpov o diretor da Acort. Mas, enquanto a crise está a atingir a classe média, os mais ricos da Rússia poderão não sentir o aperto. Num dos mais exclusivos concessionários de Moscovo, Valery, um vendedor da Ferrari, revelou que a crise não estava a afetar as vendas porque os clientes podem pagar em moeda forte. «Nós compramos e vendemos em euros, para que os nossos clientes saibam o que esperar quando entram», disse ele em pé à frente de um lustroso Ferrari vermelho.