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S. Roque acelera produção de máscaras

A empresa criou um equipamento capaz de produzir automaticamente mais de 100 máscaras cirúrgicas por minuto. A RoqMask, como foi batizada, permite ainda fazer máscaras em tecido com a mesma velocidade e deverá ter uma “irmã” para EPIs.

Manuel Sá

A máquina resulta de um desafio lançado pelo CITEVE e foi concebida em pouco mais de dois meses pela especialista no desenvolvimento e construção de maquinaria. «Tivemos que fazer em dois meses um projeto que normalmente, a correr bem, demora meio ano. Fizemos, como se costuma dizer, “das tripas coração” para conseguir chegar ao timing necessário, porque os clientes querem sempre mais rápido», explica, ao Jornal Têxtil, Manuel Sá, fundador e presidente da S. Roque.

O equipamento permite fabricar automaticamente máscaras cirúrgicas tipo I e tipo II até quatro camadas, com clip nasal e elástico. Além destas máscaras, que usam não-tecido na produção, a RoqMask está a ser preparada também para fabricar máscaras sociais em tecido. A capacidade produtiva será semelhante à das máscaras cirúrgicas e encontra-se neste momento a ser testada a utilização de diferentes matérias-primas. «Tem que ter sempre uma percentagem, de pelo menos, 50% de fibras sintéticas, porque a máquina usa um sistema de soldadura por ultrassons», revela Manuel Sá. A RoqMask pode ainda trazer acoplado um módulo de embalagem e um módulo de etiquetagem, para automatizar mais o processo, onde apenas será necessário alimentar o equipamento com as matérias-primas.

Expansão para EPIs

A máquina tem suscitado o interesse de vários produtores portugueses deste tipo de artigo e as primeiras unidades deverão ser entregues no início de julho.

«Gostamos de desafios e aproveitamos isso para mostrar, mais uma vez, como é que se mudam as circunstâncias. A S. Roque viu nesta oportunidade uma forma de fazer algo para ajudar a parar esta pandemia», afirma o presidente da tecnológica, que está a trabalhar num projeto paralelo para a produção de outros equipamentos de proteção individual. «É uma máquina que vai produzir automaticamente as batas, cobre-sapatos, manguitos, toucas, etc., quer em não-tecido, quer em PVC», desvenda Manuel Sá, avançando que, tal como no caso das máscaras, estes artigos serão «completamente soldados, não levam costuras», com vantagens ao nível produtivo. «Vai ter uma capacidade de produção muito maior e vai acabar por criar um produto mais económico do que o que se está a fazer atualmente na confeção», sublinha.

A pandemia fez cair a procura pelos equipamentos produzidos habitualmente pela construtora, que emprega 535 pessoas, mas já se começa a sentir alguma retoma. «Lentamente, temos tido encomendas, mas ainda não está ao ritmo em que estávamos. Em fevereiro e março, estávamos a um ritmo muito elevado, ia ser o melhor ano de sempre na S. Roque», reconhece Manuel Sá. Ainda assim, assegura, «o mês de junho já foi bom».

A empresa, sediada em Oliveira S. Mateus, em Vila Nova de Famalicão, tem uma oferta que inclui equipamentos para estamparia à peça por serigrafia, linhas de dobragem e embalagem de peças e, na mais recente aposta, estamparia digital. «Estamos no mercado com esta impressora digital sensivelmente há dois anos e estamos a criar modelos novos, com novas aplicações, em função das necessidades do mercado», indica.

EUA em crescimento

Os EUA têm sido o grande impulsionador desta área de negócio e uma das apostas da S. Roque, que exporta mais de 90% da sua produção. A tecnológica criou inclusive uma filial no país, no final do ano passado, para fins comerciais e de assistência técnica. «Estabelecemos uma parceria com o nosso distribuidor para termos uma presença mais forte e atacarmos o mercado com mais força. Os EUA são um país com uma capacidade muito grande e decidimos fazer essa aposta», justifica Manuel Sá, garantindo que «os nossos produtos estão a ter boa aceitação lá».

Apesar das dificuldades atuais, que se prendem sobretudo com as limitações de viagens de técnicos para montar os equipamentos, a S. Roque, que tem igualmente uma filial no Brasil, espera «pelo menos» manter, em 2020, o mesmo volume de negócios de 2019, que rondou os 55 milhões de euros. Mas a meta para a construtora, que ocupa uma área coberta de 40 mil metros quadrados, a que deverá em breve somar mais 7.000 metros quadrados, continua a ser crescer em todas as tecnologias. «Perspetivamos que o grande crescimento da S. Roque vai ser baseado na estamparia digital. A parte da serigrafia deverá ter mais ou menos uma estabilização, mas queremos continuar a crescer e estamos também a criar novos produtos nessa área. Estamos a apostar muito na parte de dobrar e embalar», enumera o presidente da empresa, que tem como meta atingir os 90 milhões de euros no volume de negócios dentro de três anos. «Pomos sempre a fasquia lá em cima. Sabemos que é difícil, mas a nossa obrigação é tentar. Se não tentar, não vou lá chegar», conclui Manuel Sá.