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S. Roque disputa liderança

Depois de muitos anos a combater o preconceito internacional em relação à tecnologia e inovação “made in Portugal”, o Grupo S. Roque conseguiu afirmar-se nos mercados internacionais, estando atualmente a disputar a liderança mundial no sector de maquinaria para estamparia à peça.

Manuel Sá, presidente do conselho de administração do Grupo S. Roque, faz questão de repetir que na empresa que fundou em 1983, «não fabricamos máquinas, fabricamos soluções. Os nossos concorrentes é que fabricam máquinas. O cliente quer um parceiro com quem possa falar sobre os problemas que tem dentro de portas para tentar chegar a uma solução à medida, como fazer um fato à medida. Foi esse o trajeto que construímos e nesse caminho que queremos chegar a número um».

É com este espírito de chegar à liderança – que poderá alcançar em três anos, acredita o presidente do conselho administração – que todos os dias cerca de 275 funcionários constroem, peça a peça e com recurso a tecnologias de ponta de corte a laser e quinagem, as soluções que saem da empresa de Oliveira S. Mateus, em Vila Nova de Famalicão, para os 53 países onde o Grupo S. Roque tem clientes.

Foi das pequenas instalações da S. Roque, em 1984, lembrou Manuel Sá durante a visita de ontem no âmbito da iniciativa Roteiro Made IN, da Câmara Municipal de Famalicão, que saiu a primeira máquina automática de estamparia do mercado nacional. Cinco anos depois a empresa fazia a primeira venda internacional, para a Turquia. Desse negócio «esporádico», como afirmou, surgiu a vontade de olhar além das fronteiras nacionais e com o agravamento dos problemas da indústria têxtil e vestuário nacional no início da década 2000, o Grupo S. Roque investiu na internacionalização. Em 2005 entrou no Brasil, país que ainda hoje tem mais máquinas têxteis da empresa.

SroqueO percurso não foi fácil, até porque, como realçou Manuel Sá, «Portugal é conhecido pelo turismo, pela produção de têxteis. Quando se apresenta máquinas com tecnologia portuguesa demora tempo a conquistar a confiança dos clientes». Mas é com tecnologia bem portuguesa, alguma dela já patenteada, que a empresa tem crescido, passando de 3 milhões de euros de volume de negócios em 2003 para os 25 milhões de euros em 2014. É o caso da máquina oval de estamparia, uma solução modular, que além de ser mais precisa, permite aumentar o número de cores consoante a necessidade do cliente, e onde podem ser estampadas até 1.000 peças por hora. «Hoje fazemos máquinas com mais de 20 cores. Para uma máquina circular, começava a criar diâmetros muito grandes e muito difíceis de transportar», explicou Manuel Sá. «A máquina oval era a máquina ideal para crescer, quer em número de cores quer em aproveitamento de espaço», referiu.

Hoje, a empresa, que exporta 90% da sua produção, envia mais de 30 máquinas por mês para países tão diferentes como os EUA, a China, a Índia, a Suécia ou a África do Sul, num valor de 8 a 9 milhões de euros por ano. Mudou mesmo o nome da marca – que de S. Roque passou simplesmente a Roq – porque se pronuncia «mais facilmente nos principais países para onde exportamos», confessou o presidente do conselho de administração. A mais recente aposta na internacionalização passa pela Ásia, «onde está a maior concentração da indústria têxtil. Foi a partir daí, nestes últimos três a quatro anos, que a concorrência nos passou a ver como grande rival e com outros olhos», afirmou o presidente do conselho de administração.

As empresas portuguesas da indústria têxtil e vestuário estão igualmente entre as clientes do Grupo S. Roque, sobretudo nos últimos tempos. «O ano passado foi um ano muito forte para o mercado nacional. Muitas empresas investiram e este ano continuam – com o Portugal 2020 há muitas empresas com novos projetos, a renovar o parque de máquinas, a atualizar-se», indicou Manuel Sá, que considera que «as empresas portuguesas estão muito bem equipadas».

Para 2015, a meta do Grupo S. Roque que fornece também serviços para outras indústrias – é crescer cerca de 20% e atingir um volume de negócios de 28 milhões de euros, uma boa notícia para os trabalhadores da empresa (cujo número deverá continuar a crescer ano), uma vez que os lucros são distribuídos também por eles. Para Paulo Cunha, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, a empresa prova que «é possível associar a tecnologia e a inovação com uma quantidade grande de pessoas», sendo igualmente «uma empresa que dá escala, que permite e que ajuda a que o concelho de Famalicão se afirme no panorama internacional no sector têxtil».