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Salário justo – Parte 1

O objetivo da H&M é pagar o que descreve como um «salário justo de vida» a cerca de 850.000 trabalhadores na sua cadeia de aprovisionamento de vestuário até 2018, uma medida que, nas suas próprias palavras, «leva a questão salarial para o próximo nível». Trabalhando no Bangladesh e no Camboja com três dos seus melhores fornecedores – onde a empresa se comprometeu a assumir 100% da produção durante cinco anos –, a H&M vai procurar a melhor forma de implementar um salário mínimo que cubra as necessidades básicas dos trabalhadores. A partir daí, irá estabelecer «exemplos das melhores práticas para definir o padrão para toda a indústria», que será lançado até 2018 em 750 fábricas, que produzem cerca de 60% dos seus produtos. «Sempre foi a nossa visão de que todos os trabalhadores da indústria têxtil devem ser capazes de viver com o seu salário», afirmou a empresa. «Acreditamos que a evolução dos salários nos países produtores, que é muitas vezes conduzida pelos governos, está a demorar demasiado. (…) A H&M quer tomar novas medidas e incentivar toda a indústria a segui-las. Com a dimensão vem a responsabilidade e temos a capacidade de contribuir para uma mudança positiva», justificou. O conceito de um salário mínimo não é novo, claro, mas a dimensão do desafio de definir medidas mensuráveis em toda a cadeia de fornecimento, significa que existem poucos exemplos em que tenha sido feito um progresso prático real. Em primeiro lugar, não existe nenhum salário reconhecido internacionalmente que responda às necessidades básicas e forneça algum rendimento adicional, com as exigências dos trabalhadores a diferirem de região para região, e até mesmo de fábrica para fábrica. Os esforços para tentar calcular o salário mínimo também destacam o grande abismo que existe entre as necessidades percebidas e os vencimentos existentes. Para o Bangladesh, a Asia Floor Wage Alliance calcula que o salário mínimo atual é de apenas 11% do salário mínimo de vida estimado em 259,80 euros. Enquanto os trabalhadores de vestuário do Camboja ganham apenas 21% dos 285,83 euros do salário mínimo recomendado. Outro desafio é que, com os compradores a ocuparem muito raramente 100% da capacidade de uma fábrica, é crucial uma abordagem colaborativa com outras marcas e retalhistas para a implementação de um salário justo. Os modelos de custeio também precisam de ser ajustados; os fornecedores encorajados a pagar salários mais altos, talvez concentrando-se em maior produtividade e melhor eficiência, e, claro, os compradores também precisam de alterar o seu comportamento. Muitas vezes, são as mudanças de última hora por parte dos clientes que resultam em horas extra para cumprir prazos – , mas atrasos na mesma linha, em entregas de matérias-primas ou problemas de qualidade, bem como as interrupções causadas por greves ou cortes de energia também podem afetar os trabalhadores. Como parte da sua abordagem em quatro frentes para a questão do salário, a H&M vai trabalhar com os donos das fábricas para desenvolver estruturas de pagamento que permitam um salário justo, correto e assegurem a compensação justa e horas extraordinárias dentro dos limites legais. Na segunda parte são analisadas as diversas implicações inerentes à aplicação desta ambiciosa medida da H&M.