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Saldos agitam retalho francês

Verdadeira celebração do consumo, os saldos começaram às 8 horas da manhã de 9 de Janeiro em toda a França, com descontos de 20% a 50%. O balanço do primeiro dia de saldos não foi igual para todos, com as grandes lojas a registar aumentos nas vendas enquanto que os pequenos comerciantes se mantinham na expectativa. é um início apÁtico», resume Charles Melcer, presidente da Federação Nacional de VestuÁrio, que representa os pequenos comerciantes. Na zona comercial de Les Halles, em Paris, havia muita gente nas lojas, mas poucas faziam compras. Os saldos começaram lentamente. é preciso esperar pela hora de saída das empresas e pelo fim-de-semana para fazer um balanço», referiu uma vendedora da Max&Co, especialista em vestuÁrio feminino. Pelo contrÁrio, as grandes lojas registaram afluências recordes. Após uma manhã lenta, as Galerias Lafayette assinalaram em Paris e na província um aumento de 10% do seu volume de negócios, em relação a 2007, enquanto que a Printemps aumentou 5% a 6%. Um quarto de hora após a abertura das lojas, jÁ havia fila para entrar nos corners de calçado e carteiras de marcas de luxo como Prada, Gucci ou Dior. Também na Internet, o tom era no geral eufórico. Alguns sites referiram mesmo uma “multidão”. é um enorme sucesso», felicitava-se Philippe Wargnier, co-fundador do site de venda de calçado Spartoo. Em duas horas, tivemos mais de 300 encomendas, oito vezes mais do que na mesma altura no ano passado». Na abertura da época de saldos, nem mesmo os membros do governo escaparam à “febre consumista”. Estou muito contente por fazer compras nos saldos», revelou Christine Lagarde, Ministra da Economia, após ter comprado algumas gravatas e percorrido a Printemps Nation em Paris. é um evento de festa e de consumo, é um bom momento para o poder de compra. é bom para o comércio e para o consumidor», acrescentou. Contudo, é também um momento de confusão, o que nos faz pensar em multiplicar as épocas de saldo», declarou a ministra. Christine Lagarde anunciou, por isso, a possibilidade da organização dos saldos em França ser alterada, evocando nomeadamente o princípio dos saldos “recorrentes”, ou seja, que estejam permanentemente disponíveis nas lojas», um tema que gera controvérsia junto dos pequenos comerciantes. Os retalhistas de calçado e das grandes lojas também se opõem a uma multiplicação das épocas de saldo, assim como algumas associações de consumidores, como a UFC-Que Choisir. Os saldos são um grande acontecimento para o comércio, mas para isso, devem permanecer como um evento especial. Duas épocas de saldos são claramente suficientes», comentou à AFP Paolo Cesare, dono da Printemps. Apesar destas opiniões desfavorÁveis, o governo gaulês vai tentar uma concertação sobre o assunto, dois anos após uma consulta similar que reuniu os profissionais do sector, as associações de consumidores e os poderes públicos e que acabou por enterrar qualquer ideia de multiplicação das épocas de saldos. Mesmo os consumidores parecem estar contra esta ideia. Uma multiplicação de saldos não servirÁ para nada. Temos jÁ as promoções e os dias especiais todo o ano», sustentou à AFP Anne, uma agente de turismo de 50 anos, momentos antes de comprar uma carteira de uma grande marca com um desconto de 30%. Um tema que promete levantar alguma polémica nos próximos meses em França mas que não deve prejudicar as vendas nestes saldos de Inverno.