Início Arquivo

Saldos não interessam

A marca de luxo Versace descartou a ideia de que os seus principais clientes possam fazer fila à procura de pechinchas nas vendas pós-Natal na capital italiana da moda. «Os nossos clientes habituais não fizeram fila a 3 e 4 de Janeiro em Milão ou Roma, estavam antes nas ondas de St. Mauritz ou num barco nas Caraíbas», afirmou Giancarlo Di Risio, director-executivo da marca ao jornal Il Sole 24 Ore. Tal como noutras capitais da moda, os caçadores de pechinchas em Milão invadiram as lojas à procura de promoções, desde que o período de saldos começou a 3 de Janeiro. Muitas marcas de moda, como a Dolce&Gabbana, Armani, Roberto Cavalli e Gucci, estão a fazer saldos, com os preços nas etiquetas a serem cortados em 40%, alguns em 50%. «50% de desconto numa carteira Valentino é exactamente o que eu estou à procura», revela Maria Cristina, uma dona de casa às compras no departamento de acessórios da department store La Rinascente. «Estou de olho nela há já algum tempo e agora é tempo de a comprar». As assistentes de loja em várias lojas afirmam que os saldos começaram bem. Foram até vistas filas de carros na saída da auto-estrada para um outlet de moda no fim-de-semana de 3 e 4 de Janeiro. «é um início muito bom, tivemos uma óptima resposta e não só na nossa flasgship em Milão», revelou Alberto Baldan, director-geral da La Rinascente. Contudo, durante a semana as vendas baixaram ligeiramente, dizem outros, devido às baixas temperaturas. «Sábado foi muito movimentado porque foi o primeiro dia e as pessoas queriam conseguir as melhores peças, mas desde então acalmou um pouco. Contudo, penso que as vendas se vão aguentar por mais algum tempo», referiu uma assistente de loja. Mesmo antes do actual período de saldos de Inverno, a forte campanha de promoções no final de 2008 também incluiu as marcas de luxo, com algumas a promoverem discretas “vendas privadas”. «Na Via Montenapoleone ou na Via Condotti, já se podia encontrar artigos a metade do preço em meados de Novembro», afirma Di Risio, referindo-se às principais ruas de compras de Milão e Roma. «Esta política está a arruinar o mercado que, dado tratar-se de gama alta, devia ser mais protegido. Para mim os adeptos dos saldos são diferentes dos clientes habituais». Di Risio afirma que a Versace, que faz também interiores para helicópteros customizados para os seus admiradores mais abastados, não estava a baixar a lista de preços em Itália nem em noutros locais. «Se eu baixar o preço de um vestido de noite dos 7 mil euros para os 5 mil euros ou o da carteira da colecção couture dos 2.300 euros para os 1.700 euros, não muda muito», afirma Di Risio. «Mas para aqueles que baixam o preço de uma carteira e a vendem numa loja por 500 euros, aí o quadro muda de figura. Nós queremos oferecer o verdadeiro luxo e não abrir as nossas lojas ao consumo de jovens que podem pôr a carteira de designer dos seus sonhos nos braços por 300 euros. Não estamos interessados nisso». Apesar desta posição, Di Risio reconhece que as marcas de luxo não foram poupadas ao abrandamento da economia, afirmando mesmo que «todos irão sofrer, ninguém irá escapar». Apesar do difícil ambiente económico, os turistas, cujo número caiu nos últimos meses, ainda passam com sacos de compras de marcas de designer na Via Montenapoleone de Milão. «O mau tempo não nos impede de fazer compras em Milão, sobretudo durante a época de saldos», afirma uma turista russa à Reuters. Mas, como revela Baldan, «se o tempo o permitir, esperamos uma boa época de saldos».