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Saldos para esquecer a crise

A quadra natalícia em França não foi a mais feliz para os comerciantes. Tivemos um mau fim de época», lamenta Lucien Odier, presidente da Federação das Marcas de Vestuário, que agrupa marcas como a Zara, Celio ou La Halle. O mercado está mal, as pessoas estão à espera dos saldos. Vamos chegar aos saldos com stocks maiores do que o habitual», acrescenta. Ao contrário de Portugal, onde os saldos começaram logo a 28 de Dezembro (ver notícia no Portugal Têxtil), os saldos em França arrancam apenas a 9 de Janeiro e deverão prolongar-se até 16 de Fevereiro. Porém, há já alguns anos que os comerciantes, sobretudo os do vestuário e do calçado, multiplicam as operações promocionais ao longo do ano e reduzem muito os preços logo no início dos saldos, para atrair um cliente menos inclinado para as compras. Com efeito, as escolhas do consumidor fazem-se cada vez mais em benefício de novas despesas (telemóveis, Internet, viagens), ao mesmo tempo que o peso dos gastos obrigatórios (alimentação, imobiliário, combustíveis) aumenta. Deste modo, algumas lojas e websites oferecem reduções de 70-80% no primeiro dia de saldos, em vez de esperar por uma segunda», às vezes terceira» baixa. O fim de 2007 em França ficou também marcado pelas greves de Novembro nos transportes. As vendas de artigos de vestuário diminuíram 3,5% em valor nesse mês em relação ao mesmo período do ano anterior e até 6% no comércio independente, de acordo com o Institut Français de la Mode (IFM). As cadeias especializadas recuaram 3% e apenas as grandes lojas resistiram, conseguindo um aumento de 1%. Os pequenos comerciantes puderam, contudo, “salvar” o fim da estação graças à vaga de frio por altura do Natal, apesar de uma primeira quinzena de Dezembro difícil. Fomos agradavelmente surpreendidos e acabámos o ano com um aumento global de 5%. Contudo, a tendência é desigual, pois as pessoas ofereceram muitos artigos masculinos, nomeadamente camisolas grossas, mas compraram pouco vestuário feminino», revela Charles Melcer, presidente da Federação Nacional de Vestuário. O período dos saldos de Inverno, muito próximo do Natal, contribui igualmente, de acordo com Melcer, para minar» as vendas de fim de ano. Por seu lado, os sites de venda on-line, muitas vezes melhores locais de compra que as lojas tradicionais, continuaram de vento em popa no final do ano. Conseguimos ultrapassar os 3 mil milhões de euros de volume de negócios anunciados para as festas de fim de ano. Houve mais de 20 milhões de compradores on-line no quarto trimestre, especialmente graças ao Natal», afirma Marc Lolivier, delegado-geral da Federação do e-commerce e da venda à distância (Fevad). No ano passado, os internautas gastaram 2,5 mil milhões de euros nos sites de venda da Internet, em grande parte para comprar produtos de alta tecnologia. Mas a Internet tornou-se também o canal privilegiado para guarnecer a mesa. As nossa vendas de menus de pratos confeccionados duplicaram na Internet, tal como o foie gras e o salmão», indica Serge Papin, presidente do grupo de distribuição independente que agrupa os supermercados Super U, Hyper U e Marché U. As vendas de Natal correram bem e constatámos um aumento do orçamento dedicado à alimentação e aos artigos de tecnologia em detrimento dos jogos tradicionais», acrescenta.