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Salsa aumenta produção em Portugal

A marca de jeanswear do grupo Sonae está a trazer mais produção para Portugal, numa altura em que a preocupação com a sustentabilidade tem vindo a gerar novas apostas, desde o investimento em equipamentos de lavandaria mais eficientes ao lançamento de iniciativas como o programa de circularidade Infinity, recém-lançado pela Salsa.

João Martins

Trazer mais produção para o nosso país e para a proximidade é uma das três prioridades da Salsa ao nível da sustentabilidade, revelou João Martins, administrador da Salsa, durante a conferência “Têxtil do Futuro – Desafios para o crescimento sustentável”, organizada pela APLOG – Associação Portuguesa de Logística. «Portugal chegou a ter cerca de 60% da produção da Salsa. Hoje tem um pouco menos e há categorias que vamos trazer de volta», afirmou, adiantando que a zona do Mediterrâneo, nomeadamente Tunísia, Turquia e Marrocos poderão igualmente beneficiar desta tendência.

A produção da marca está igualmente alicerçada numa unidade industrial própria, com tinturaria, lavandaria e acabamentos especiais. «Aí temos uma série de investimentos previstos na área da eficiência energética, na área da produção e consumo de água. Por exemplo, temos o compromisso, já anunciado publicamente de, no final de 2023, 100% dos jeans Salsa serem feitos com um processo que normalmente é conhecido por water less, mas nós chamamos-lhe better wash, onde vamos ter uma redução mínima de 65% de consumo de água versus o processo antigo que tínhamos. Além da poupança no consumo de água, estamos a falar de uma poupança considerável também no consumo energético, obviamente, e também na quantidade de químicos com que trabalhamos», anunciou João Martins.

Importante é ainda a eficiência dos stocks, que, como realçou o administrador da Salsa, «não tem apenas a ver com a questão ambiental, tem a ver obviamente também com a rentabilidade do negócio». Um ponto igualmente ligado ao negócio online, que «representa 20% do volume de vendas da Salsa», adiantou ao Portugal Têxtil. «Estamos, neste momento, com um sistema que gere a distribuição, a alocação e o reaprovisionamento do stock nas lojas com base em algoritmos, com base em inteligência artificial e vamos também implementar um modelo que chamamos de ship from store que já está ativo, mas que ainda não está no seu potencial máximo, em que vamos passar a expedir as encomendas online a partir de todas as lojas», explicou.

«Uma tendência para o nearshoring e para a integração da cadeia a nível da produção, claramente uma produção mais sustentável e a parte da gestão dos stocks ligada ao digital são três áreas onde estamos a trabalhar bastante para evoluir o negócio no sentido da sustentabilidade e de uma maior eficiência», resumiu João Martins.

Ricardo Batista, Nuno Ramalho, João Paupério, João Martins e Luís Santos

A área da sustentabilidade está ainda a ser trabalhada na disponibilização de serviços para o consumidor. «Devemos olhar mais, se calhar, para uma peça numa perspetiva do custo que ela tem por utilização. Porque se tenho uma sweatshirt que é de alta qualidade, que vou ficar com ela durante sete ou oito anos, que eu vou usar n vezes em cada ano e que tem um custo inicial mais caro ou se vou comprar três ou quatro de uma qualidade fraca, que vou usar três ou quatro vezes e vou dispensar a seguir, se calhar, aquela que custa mais dinheiro, mesmo do ponto de vista puramente económico, olhando numa perspetiva de custo por utilização, fica mais barata do que este consumo mais desenfreado que temos, primeiro com a fast fashion, depois com o low-cost e agora com o ultra low-cost», afirmou.

Um programa de moda circular

Por isso mesmo, a Salsa lançou a iniciativa Infinity, no passado dia 8 de junho. O programa permite que os clientes aderentes ao programa de fidelização STAR possam reparar e reaproveitar jeans e outros artigos de denim da marca, com o intuito de prolongar o ciclo de vida dos mesmos. Todas as peças entregues em loja, sejam jeans, camisas, casacos, saias ou calções, são avaliadas por um colaborador que, posteriormente, e em função do resultado da avaliação, sugere a melhor forma de reparação. Isso pode incluir coser rasgos, adicionar remendos, reparar presilhas, substituir fechos, tratar de manchas, encurtar ou aumentar um tamanho de jeans.

O custo do serviço de reparação, que está disponível em lojas em Portugal, Espanha, França e Luxemburgo, é pago através de um débito de estrelas STAR (1.000 estrelas por cada serviço) ou, em alternativa, através de um pagamento direto em loja, com preços que variam entre os 5 e os 20 euros, dependendo do arranjo. As peças são depois encaminhadas para o atelier da marca e têm um tempo de reparação de até 30 dias, consoante a complexidade do serviço.

[©Salsa]
Quando as peças não são reparáveis ou quando o cliente, por qualquer motivo, não deseja ter nem reparar uma determinada peça, a marca recolhe os jeans ou peças denim e reaproveita-os, transforma-os noutras peças ou recicla-os.

«O cliente que queira reparar os seus jeans, vai poder reparar. Ou então vamos encontrar soluções com parceiros para reciclar as fibras e, em particular, o algodão. Vamos encontrar soluções de upcycling ou de tornar aquele produto noutro produto, incorporar aquele tecido noutro produto e, acima de tudo, vamos dar sempre visibilidade ao cliente do que vai acontecer com aquela peça», esclareceu João Martins que, contudo, salientou que «estamos a falar de um nicho. Aquilo que vejo no mercado muitas marcas a fazer é, mais uma vez, uma abordagem mais comercial, deixem ficar as vossas peças connosco e tens um desconto numa próxima compra. Não acredito que esse seja o caminho. Não é a abordagem que vamos ter na Salsa. Acho que pode ser uma das soluções importantes no futuro, mas, neste momento, ainda estamos numa fase muito embrionária».