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Salsa mais ecológica e a crescer em Espanha

A marca portuguesa de jeanswear oficializou um projeto que reúne todas as iniciativas de sustentabilidade, da instalação de painéis fotovoltaicos à revisão dos processos de acabamentos. O digital está também a ser uma aposta, juntamente com a expansão em Espanha, que em breve se deverá tornar o primeiro mercado.

Os processos mais ecológicos não são novidade para a marca de jeanswear, mas apenas no dia 6 de maio a Salsa decidiu juntar todas as iniciativas num único projeto voltado para a sustentabilidade.

«Basicamente, é um projeto que visa reunir e dar estrutura a uma série de ações que já estavam a acontecer na empresa, mas que têm que ganhar esta consistência de projeto, inclusivamente para dinamizar o entendimento e a sensibilização das pessoas e da própria organização para os temas da sustentabilidade», justificou Alexandra Ferreira, diretora de gestão de produto da Salsa, ao Portugal Têxtil. «E para ganhar consistência para conseguirmos passar para o público esta nossa intenção e concretização do que é um processo de sustentabilidade consciente e com estrutura», acrescentou.

Alexandra Ferreira

Durante a última Ignite Session promovida pela plataforma Fibrenamics, Alexandra Ferreira deu conta das várias iniciativas já em curso, incluindo a revisão dos processos de acabamentos na parte industrial, nomeadamente a lavandaria, e a instalação de painéis fotovoltaicos para obter energia mais limpa. Mas não vai ficar por aqui, com o projeto pensado para atuar em três áreas: pessoas, processos e produtos. «Para nós a sustentabilidade não é igual ipsis verbis a ecologia, é o nosso impacto no mundo enquanto empresa, incluindo sustentabilidade no termo mais ecológico. Falamos, por exemplo, de melhoria dos processos internos, pequenas coisas como desmaterialização das faturas, para retirar o máximo de papel de circulação», apontou ao Portugal Têxtil. «Passa por coisas como alterar os nossos consumíveis, os nossos sacos para papel reciclado ou de origem de florestas sustentáveis, conseguir a entrega de produto de forma mais eficiente e com menos impacto em termos de consumo de CO2. E esta ligação de processo a produto, que passa também pela nossa parte mais industrial de lavandaria, de conseguirmos introduzir processos menos agressivos, em sectores muito evidentes como consumo de CO2, o consumo de água e a utilização de químicos», enumerou a diretora de gestão de produto.

Apesar de só agora oficializar estas medidas, a marca, que em 2016 foi adquirida em 50% pela Sonae, tem já um historial relativamente longo de iniciativas ecológicas. Na década passada, a Salsa promoveu a recolha de jeans usados, que doou ou reutilizou na produção de sacos em denim. Além disso, tem adquirido matéria-prima reciclada para produzir alguns dos seus artigos. Contudo, «acredito que ainda temos de trabalhar a nascente e já estamos a trabalhar nesse sentido. Estamos a escutar imensas organizações que produzem algodão de forma sustentável, ecológica e social, com impacto social positivo nas comunidades», revelou Alexandra Ferreira.

Espanha será o n.º 1

A sustentabilidade passa ainda por fazer peças que perdurem no tempo. «Não nos consideramos fast fashion. Orgulhamo-nos de que que o nosso produto dura. É o primeiro passo para a sustentabilidade», sublinhou.

Assumindo-se como uma «marca que quer entregar valor, bem-estar e autoestima ao consumidor», a Salsa tem atualmente como cliente-alvo «um consumidor consciente, com poder de compra, mas que entende que não está a comprar um produto que é para usar e deitar fora, ou seja, está a comprar uma experiência. Porque é a utilização de um par de jeans que faz toda a diferença, que faz sentir bem e que tem a segurança que as pode usar muitas vezes porque ele vai estar lá. Vai corresponder em termos de estilo, vai corresponder em termos de qualidade», descreveu a diretora de gestão de produto.

Portugal continua a ser o principal mercado, mas isso deverá mudar em breve. «Espanha está rapidamente a posicionar-se como primeiro mercado – é um objetivo no médio prazo e estamos quase a atingi-lo», revelou Alexandra Ferreira. A justificação prende-se não só com a apetência do consumidor espanhol mas também pela aposta comercial. «Talvez seja o mercado com mais cobertura em termos de canais, porque estamos presentes em lojas próprias, no digital e com o mega parceiro de retalho que é o El Corte Inglés, que acaba por ter uma capilaridade gigante em Espanha e faz com que estejamos numa série de cidades», explicou ao Portugal Têxtil. «Para além disso, temos muita presença no canal wholesale, com multimarcas. Temos mais de 280 clientes ativos – são muitos pontos de venda em Espanha», indicou.

A marca, está presente em diversos outros mercados europeus, mas também, através de parceiros, no Médio Oriente, tem já 12% das suas vendas no canal digital e pretende continuar a expandir-se. «A Salsa vai continuar a ter um foco gigante no consumidor, naquilo que importa ao cliente, e a estar sempre um passo à frente», resumiu a diretora de gestão de produto.