Início Notícias Retalho

Saúde e riqueza – Parte 2

O segmento de luxo invadiu a categoria de saúde e bem-estar e transformou a perceção de riqueza num conjunto de produtos alimentares e atividades de fitness que vêm relativizar o custo e desinibir os consumidores no momento de partilhar publicamente o seu estilo de vida. (ver Saúde e riqueza – Parte 1) Guarda-roupa de treino À medida que as temáticas da saúde e bem-estar permeiam a mentalidade do consumidor, o vestuário direcionado para as atividades desportivas transita de categoria de moda para opção de estilo de vida. No entanto, a velocidade de adaptação do consumidor e recente crescimento do segmento de mercado têm surpreendido. Nos EUA, as vendas de vestuário desportivo alcançaram os 33,7 mil milhões de dólares em 2013 e, no Reino Unido, o valor do mercado deverá atingir os 5,34 mil milhões de libras até 2016. «O vestuário desportivo está em crescendo, com o aumento das suas vendas a ultrapassar já as do mercado do vestuário na sua totalidade e isso porque os consumidores não estão a utilizar vestuário desportivo apenas no ginásio», revelou Marshal Cohen, analista sénior para a indústria do NPD Group. «O vestuário desportivo evoca, por natureza, uma sensação de atletismo e bem-estar, o que só acresce ao interesse que desperta». Os designers e marcas falam já de uma nova era do vestuário desportivo, oferecendo equipamento de performance de luxo, que facilmente transita do ambiente laboral para o espaço de prática desportiva. É importante notar que este é um consumidor esclarecido que entende a importância das valias técnicas dos equipamentos, pelo que, as marcas que privilegiam a moda em detrimento da funcionalidade terão dificuldade em conquistar este público. «Esta não uma tendência de moda, é uma tendência de estilo de vida», sublinha Cohen. «A diferença é que existe funcionalidade a par da moda», explica. Exercício exclusivo Para muitos consumidores, o estatuto social não está mais dependente da filiação a um determinado clube social privado, mas sim a um espaço de prática desportiva. Os ginásios exclusivos, direcionados somente a membros convidados, tornam-se gradualmente um símbolo máximo da riqueza discreta. Um exemplo desse modelo é o health club do Hotel Corinthia em Londres, que permite um máximo de 200 sócios, com honorários variáveis em função da categoria de fidelização. A modalidade mais cara, denomina Quartz Membership, disponibiliza quatro sessões de treino privadas e um chá da tarde para dois no espaço de spa da unidade. A adesão mediante convite praticada pelo ginásio londrino KX, localizado na zona elitista de Chelsea, inclui um plano de refeições customizado, um porteiro e entrada em eventos de acesso restrito. De forma semelhante, o ginásio Equinox, em Nova Iorque, requere convite e incluiu um porteiro 24 horas por dia, assim como balneários privativos, 3.800 metros quadrados equipados com a tecnologia mais atual e sessões com personal trainers reconhecidos. Os ginásios exclusivos estão a alastrar-se ao mercado asiático, onde se prevê a inauguração do primeiro ginásio ao qual a adesão é permitida apenas mediante convite, um modelo a estrear em Singapura ainda em 2015. O grupo Fitness First está a desenvolver um plano que permita atrair executivos às unidades do grupo estrategicamente situadas em distritos caracterizados pela atividade empresarial. O suor do trabalho «A categoria fitness está tão na moda atualmente que não é surpreendente, sendo até de louvar, que alguém se apresente no local de trabalho calçando sapatilhas. Existe finalmente esta integração entre o dia de trabalho e a prática desportiva, o que abre caminho para a fomentação de encontros de treino desportivo», refere Joslyn Thompson, treinadora da Nike. Os almoços de negócios são progressivamente substituídos por sessões de treino, num modelo já denominado de “sweatworking”, no qual as empresas convidam clientes e parceiros de negócio a participarem numa aula de fitness. Os ginásios estão já a adaptar-se às necessidades destes clientes, caracterizados pela pouca disponibilidade, criando planos de treino de curta duração mas particularmente intensos, que permitam a realização de uma reunião de negócios antes ou depois da prática desportiva. O clube de fitness Equinox está já a promover uma sessão de treino de 30 minutos que “cria força e resistência em menos tempo que um almoço de três martinis”. O ginásio londrino Hiitgirl anuncia “o melhor plano de treino para mulheres ocupadas alguma vez criado”, oferecendo duas sessões de 30 minutos, que incluem uma aula de treino cardiovascular intenso e ioga. O treino mais rápido é oferecido pela Virgin Active em Londres, onde durante apenas 24 minutos os praticantes podem queimar até 500 calorias. Esta tipo de oferta pretende aliar o estilo de vida ativo e cosmopolita a uma prática de exercício e alimentação saudáveis, conferindo um elemento de exclusividade e luxo que os distingue da oferta já existente e aproxima das tendências atuais.