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Scorecode em novos mares

A empresa especialista na produção de vestuário técnico foi a responsável por criar os casacos que vão ser usados pelos passageiros do MS World Explorer, o primeiro navio oceânico concebido e fabricado integralmente em Portugal. O projeto usa a tecnologia do Musgo, que, na semana passada, venceu o prémio iTechStyle.

Daniel Mota Pinto e António Amorim

«O Mário Ferreira convidou-nos para desenvolvermos uma parka», conta, ao Portugal Têxtil, Daniel Mota Pinto, diretor de estratégia da Scorecode. O casaco, que será usado pelos passageiros do MS World Explorer – um paquete com 126 metros de comprimento, 19 metros de largura e oito pisos, com capacidade para 200 passageiros e 110 tripulantes, que foi inaugurado no último sábado – foi concebido com base no casaco Musgo, «mas tem ainda mais tecnologia que vai permitir entrar nos vários espaços do barco – o bilhete do passageiro está dentro do casaco», explica.

O Musgo, um projeto da Scorecode, da start-up Vime e da tecnológica portuguesa Lapa, consiste num casaco com um sistema de iluminação inteligente, concebido com recurso a fibras óticas e pensado para diminuir a sinistralidade noturna. «Pensámos numa maneira de incorporar luz ativa, que reage aos movimentos do corpo – se travarmos acende a luz vermelha, se virarmos para a direita, acende a luz para a direita», esclarece o diretor de estratégia da Scorecode. Tem ainda ligação por Bluetooth e Wi-fi para uma constante conexão ao smartphone, que permite, em caso de inatividade do utilizador durante mais de um determinado tempo, alertar as pessoas mais próximas.

MS World Explorer

O casaco foi forrado com um tecido antirradiação, de forma a que o dispositivo que incorpora não interfira com pacemakers, e o tecido exterior inclui partículas de carvão ativado obtidas a partir de cascas de coco recicladas, que reduz o desgaste, evita rugas, seca 92% mais rápido do que o algodão, elimina odores e bloqueia raios UV, além de ser repelente à água, à prova de vento e respirável. «Quisemos combinar sustentabilidade com inovação», resume Daniel Mota Pinto, acrescentando que o casaco desenvolvido para o MS World Explorer «tem o mesmo conceito. O que muda é o casaco. A luz e o projeto Musgo continua a estar lá».

Na senda da inovação

A inovação faz parte do ADN da Scorecode, que, garante o diretor de estratégia da empresa, «sempre quis dar, ao nosso cliente, o know-how do mercado, não só a nível da confeção, mas a nível dos materiais e tecnologias». O Musgo, que na semana passada venceu o prémio iTechStyle para o produto mais inovador, não é, de resto, o primeiro projeto de I&D da empresa. «Fizemos um casaco com airbag há cinco anos, um casaco com aquecimento com o Citeve há 10 anos… Sempre fomos muito focados na inovação», sublinha Daniel Mota Pinto.

Musgo

A transposição da inovação para o mercado não tem, contudo, sido um processo fácil. «Em Portugal já há alguns apoios à inovação mas não são suficientes. Nós podemos desenvolver o produto mas depois coloca-lo do outro lado do mundo é difícil», destaca.

Ainda assim, é esse o caminho da Scorecode para o futuro, juntamente com a sustentabilidade. «Estamos mesmo focados no que é a sustentabilidade dos materiais, dos métodos de produção e da vida dos nossos 120 colaboradores», assume o diretor de estratégia da empresa, também conhecida como Scoop, que criou mesmo uma horta biológica para promover uma alimentação saudável junto dos trabalhadores. «Queremos, de certa maneira, combinar as duas vertentes, encontrar um meio termo onde podemos combinar a inovação e a tecnologia com a sustentabilidade. Foi isso que fizemos com o Musgo», conclui Daniel Mota Pinto.