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Scusi com os pés fora de casa

Fundada sob o conceito de marca 100% portuguesa, a Scusi quer consolidar a sua posição no mercado internacional. Depois de conquistar todo o território espanhol e crescer no Canadá, a insígnia tem agora a mira apontada aos EUA, Grécia e Rússia.

Rosa Martins

Portugal está saturado e a Scusi sente ter pouca margem para crescer dentro das fronteiras nacionais, correndo o risco de que a concorrência entre os seus clientes se reflita negativamente na lealdade da marca. «É o problema de o país ser pequeno, chega a um ponto em que [a marca] não pode crescer mais. Daí que se tem de procurar novos mercados para abrir e crescer», afirma a CEO Rosa Martins ao Portugal Têxtil.

Neste sentido, a marca investiu este ano no norte de Espanha, uma «zona que [ainda] não estava coberta», explica, além dos «vários clientes nos EUA e Grécia». Rosa Martins ainda coloca a hipótese de abrir as portas à Europa Oriental. «A Rússia é um mercado, cujos agentes nos têm vindo a contactar, não sei como vai correr. Mas o nosso produto encaixa-se bem na Europa», considera.

Apesar do esforço de expansão internacional, os principais mercados da Scusi continuam a concentrar-se na Península Ibérica, com Portugal a absorver 80% da produção. A marca não se deixou afetar pela conjuntura político-económica internacional, já que «temos vindo, todos os anos, a crescer», fruto de uma procura «estável» por parte dos clientes, revela Rosa Martins. Este ano, a marca obteve um crescimento que rondou os 20% relativamente ao ano anterior.

Contudo, a CEO acredita que esta é uma boa altura para investir no “made In Portugal”. «As pessoas antes só gostavam do que não era nacional» e «só agora é que Portugal começou a ter um bom nome, em termos têxteis e em termos de imagem», reforça.

Vestir para qualquer ocasião

A Scusi é uma «marca que se enquadra no prático, no dia-a-dia, no casual, não é uma marca que tem uma idade definida», explica Rosa Martins. Juntando o funcional ao confortável e o moderno ao elegante, a marca procura criar um vestuário «acessível, que dê para qualquer ocasião», seja trabalho, lazer ou acontecimento especial.

Deste modo, a Scusi trabalha apenas as duas temporadas sazonais, outono-inverno e primavera-verão, oferecendo, para cada uma, coleções extensas, com mais de 200 artigos. «Portanto, consegue ter quase o que vestir desde manhã até à noite e ao fim de semana», assegura. Atualmente, a marca concentra-se apenas em vestuário de senhora. «Chegamos a ter [peças] de homem», mas «para não me desviar da nossa essência que foi sempre mais senhora, optei por deixar o homem», admite.

A coleção primavera-verão 2020 apresenta várias novidades ao nível dos materiais. «Este ano temos materiais muito mais nobres e naturais», «práticos e confortáveis», aponta a CEO, como viscose, linho e liocel, que «são fibras que as pessoas gostam muito porque são frescas para o verão e são práticas». Adicionalmente, alargou a gama de peças 100% algodão. «E acho que estão a ter muita aceitação» por parte dos clientes, confessa.

Por outro lado, a Scusi procura dar a conhecer o valor da confeção lusa ao mercado internacional, já que «o fabrico é 100% português», afiança Rosa Martins. A marca subcontrata as diversas fases do processo produtivo a diferentes empresas nacionais, de acordo com a sua especialização na matéria. «Se eu concentrasse tudo só num ponto de fabrico, nunca conseguiria obter esta variedade porque não seria possível produzir tudo tão bem e num só sítio. Cada fábrica é específica e boa num determinado produto, portanto tenho de subcontratar várias fábricas para o fazer», elucida.

A marca tem ainda, a seu cargo, a divulgação e a distribuição dos produtos. A Scusi recorre fortemente às feiras internacionais para dar a conhecer as coleções e angariar clientes, vendendo-as posteriormente nas lojas de retalho multimarca. Contudo, Rosa Martins revela a possibilidade de, no futuro, abrir uma loja online.  «Mas neste momento não pusemos essa plataforma a funcionar porque, de início, os nossos clientes, com quem conversamos, acharam que iríamos fazer-lhes concorrência», esclarece.