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Sector têxtil em força no Ceará

O programa TexBrasil, lançado no passado dia 5 de Novembro, em Fortaleza, pela Agência de Promoção de Exportações (Apex) e pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) – entidade que agrupa desde produtores de fibra a indústrias de confecção, responsáveis por um movimento de 24.41 mil milhões de euros em 2000 – pode funcionar como um impulso para o sector cearense que já tem tido uma caminhada positiva. O objectivo principal será unir as acções das 30 mil empresas da cadeia têxtil no país e consolidar uma estratégia para alavancar as exportações do sector, de 1.35 mil milhões de euros, ano passado, para 4.44 mil milhões de euros em 2005, gerando um superávit de 3.33 mil milhões de euros. De acordo com o Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), de Janeiro a Agosto as exportações de tecido de algodão, fio colorido e denim do Estado cresceram 55,47% em comparação com o período homólogo. O Ceará é o segundo maior consumidor de algodão, processando 20% da fibra do Brasil. O TexBrasil, consiste numa estratégia para melhorar a produção têxtil brasileira, divulgar as mercadorias e optimizar os esforços e investimentos das empresas em promoção comercial. “Queremos vender primeiro o país, depois o sector e finalmente os nossos produtos”, argumenta o presidente da Abit, Paulo Antonio Skaf. Segundo este, em função do potencial de crescimento mundial do sector nos próximos anos e da posição que o Brasil já ocupou no segmento, as metas estabelecidas são perfeitamente possíveis. Na opinião de Dorothéa Werneck, diretora-executiva da Apex, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer no mercado mundial de manufacturados. “No segmento de vestuário, contribuímos com apenas 0,14%”, acrescenta. Desde 1997 o Brasil tem tentado reconquistar o espaço do sector no estrangeiro, quando o déficit era de 1.28 mil milhões. Já em 2000, o saldo negativo recuou para 421 milhões. Este ano “vamos fechar o ano com saldo positivo de 110 milhões de euros “, adianta Skaf, “no acumulado de Janeiro a Outubro deste ano, o superávit já chega a 33 milhões de euros – no terceiro trimestre de 2001 as exportações somaram 578 milhões de euros. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil, as exportações têxteis cresceram 21% ano passado e em 2001 vão expandir-se mais 10%, alcançando 1.5 mil milhões de euros. O vice-presidente da Têxtil Bezerra de Menezes (TBM), Ivan Bezerra, adianta que “independentemente da questão cambial, no próximo ano a meta é colocar entre 30% e 35% da produção no mercado internacional”. Segundo Bezerra, o elevado volume de produção do grupo incentiva a procura de clientes no exterior. “Somos o maior vendedor de fios de algodão da América Latina e não podemos depender só dos negócios internos”, explica. A TBM, com quatro unidades em operação, está a investir 28 milhões de euros para colocar em funcionamento, em Março próximo, uma unidade de produção de fios especialmente para o mercado europeu. Uma outra empresa, a Santana Têxtil, investiu cerca de 22 milhões de euros, nos últimos 4 anos, para aumentar a produção e fazer face ao mercado internacional. A empresa, exporta actualmente 30% da produção para 19 países. A Fiotex Industrial SA também trabalha com o objectivo de aumentar de 5% para 30% o volume de produção colocado no mercado externo. Dados do Banco do Nordeste (BN) indicam a contratação de 961 milhões de euros em financiamentos com o sector têxtil na Região entre 1994 e Setembro último.