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Sedacor põe cortiça na moda

Lançados, como uma nova área de negócio, há apenas alguns anos, os tecidos de cortiça da Sedacor estão, progressivamente, a convencer os consumidores sobre as vantagens deste material, que se assume como alternativa ao couro, na decoração e na moda.

A procura pelos tecidos de cortiça da empresa, que faz parte do Grupo JPS Cork, tem vindo a crescer e a ganhar expressão no negócio. «Cada vez mais empresas estão a começar a usar estes materiais», afirma Albertino Oliveira, diretor comercial e de marketing da Sedacor. Na decoração e calçado, o processo tem sido mais simples, enquanto na área do vestuário tem havido mais algumas objeções. «O vestuário exige uma flexibilidade especial para os nossos materiais e não é fácil enquadrá-los nesse tipo de função que exige. Exige também algum tipo de tratamento de lavagens – é outra formação que temos de dar às pessoas, que aceitam que um couro não possa ser lavado à máquina mas incrivelmente têm dificuldade em aceitar que também têm de ter algum cuidado outros materiais», explica.

Para derrubar este muro na aceitação, a empresa está a trabalhar no desenvolvimento de produtos com cuidados mais fáceis. «Já temos produtos laváveis à máquina», revela o diretor comercial e de marketing da Sedacor.

Cork.a.Tex-Yarn promissor

A inovação, de resto, encontra-se no centro das preocupações da Sedacor, que desde 2016 está envolvida no projeto Cork.a.Tex-Yarn, que contempla o desenvolvimento de um fio com elevada incorporação de cortiça. «Já está na fase de execução», indica ao Portugal Têxtil Albertino Oliveira. «Estamos já a adquirir máquinas “a sério” e na Première Vision Paris foi um dos grandes motivos de interesse, porque temos um material que pode ser aplicado na indústria, não é preciso mudar máquinas», indica o diretor comercial e de marketing.

Além disso, os testes iniciais realizados no Citeve dão bons indicadores em termos de propriedades. «O Citeve acabou de me dar os primeiros resultados e fiquei a saber que ainda tem mais capacidades funcionais do que o próprio algodão sozinho. E é mais resistente em várias áreas: mais resistente à abrasão e mais resistente à fricção. São resultados surpreendentes», confessa Albertino Oliveira que ressalva, contudo, que falta ainda a confirmação destes resultados. «Ainda não fizemos os testes todos. Mas a nível da funcionalidade da aplicação está a ser positivamente surpreendente», adianta.

Além do fio, a empresa, juntamente com a Têxteis Penedo, que é a parceira na industrialização, está a fazer testes na produção de malha. «Vamos ver como funciona. A malha é, normalmente, mais complicada», admite.

Cork & Roll

Para transmitir estas funcionalidades e promover os têxteis de cortiça no mercado, a Sedacor lançou a marca Cork & Roll para os tecidos. «Sabemos que são tecidos vendidos em rolo, é uma forma de apelar à emoção e, ao mesmo tempo, à felicidade. É uma marca que, no fundo, cristaliza todos estes materiais para a área da moda», esclarece Albertino Oliveira.

Apesar de algum abrandamento no crescimento registado em 2018, fruto da subida do preço da cortiça, na sequência do aumento da procura e redução da produção, as expectativas são de crescimento. Atualmente, a capacidade de produção da Sedacor está entre os 250 mil e os 500 mil metros de tecido por ano. «Com o fio de cortiça, será exponencialmente maior», refere o diretor comercial e de marketing.

Em termos de volume de negócios, a área de tecidos e revestimentos representa, atualmente, cerca de 1,8 milhões de euros na Sedacor, o equivalente a 10% do volume de negócios da empresa, mas as metas estão traçadas no sentido ascendente. «Esperamos entrar em novas áreas. Na área dos transportes, do vestuário, dos têxteis-lar… Este projeto pode ser uma grande boa surpresa», acredita Albertino Oliveira. Para já, os objetivos são «consolidar a nossa capacidade a nível de requisitos técnicos do produto para a área têxtil, quer vestuário quer outras áreas. Segundo, concretizar a aplicação industrial do projeto Cork-a-Tex. São estes os dois grandes objetivos. E terceiro, continuar a divulgar a cortiça como um elemento influenciador para a moda. Há cada vez mais marcas a dizer que já não têm mais peles. Nós podemos ser a solução», sublinha o diretor comercial e de marketing da Sedacor.