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Segredos Têxteis

Se os últimos anos servem de prova, a Carolina do Norte pode claramente reivindicar para si o estatuto de centro dos não-tecidos dos EUA, ao transformar-se na primeira opção das multinacionais do sector. Com efeito, uma vaga de empresas de não-tecidos apostou recentemente na sua expansão, na construção de novas instalações no estado ou mostrou intenções nesse sentido. A Jacob Holm Industries, o produtor suíçode não-tecidos hidro-ligados inaugurou a sua primeira fábrica americana em Asheville; a Lived Corporation escolheu Wilson para a sua primeira unidade fora do Japão; a Spuntech Industries, especialista em toalhetes húmidos e secos e com operações principais em Israel, optou por Roxboro; a subsidiária americana da israelita Avgol Industries, produtora de materiais não-tecidos leves para coberturas de culturas e fraldas, está a expandir a sua fábrica de Mocksville; a PGI está a estender as suas operações em Mooresville, instalando uma segunda linha de produção cujo investimento ascende a 40 milhões de euros;… Rory Holmes, presidente da INDA (Associação da Indústria de Tecidos Não-Tecidos), sedeada em Cary, afirma que os dados reunidos pela sua organização revelam que 5 das 25 empresas de não-tecidos que divulgaram os seus planos de instalar-se nos EUA escolheram a Carolina do Norte ? uma fatia considerável tendo em conta que o número de estados é de 50. Quais são as forças condutoras desta migração para a Carolina do Norte? Vários empresários do sector apresentam uma lista eclética, mas comum, de motivações. As razões apontadas variam desde a já existente e importante presença de unidades produtoras e tecnológicas até uma ambiciosa campanha global, organizada e financiada pelo departamento do comércio da Carolina do Norte para atrair empresas para o estado. A recente vaga de não-tecidos foi impulsionada pelo governador Mike Easley, eleito em 2001. O seu gabinete atraiu várias empresas para a Carolina do Norte através de medidas como o fundo ?One North Carolina? criado para proporcionar assistência financeira às indústrias consideradas vitais para a economia do estado. Deborah Barns, porta-voz do departamento do comércio da Carolina do Norte, revela que o estado desenvolveu grandes esforços para ?recrutar? as 3 mais importantes empresas do sector em Israel ? Avgol, AGI Wipes e Spuntech ? em simultâneo, antes de eventualmente receber qualquer sinal positivo da parte de qualquer uma delas. «Em suma, grande parte do nosso sucesso nesta área advém da nossa longa história no campo têxtil e dos apoios que desenvolvemos para atrair essas empresas apetecíveis para o nosso estado», declara. Os pequenos departamentos do comércio regionais da Carolina do Norte também proporcionaram meios de apoio suplementares, para além do ?One North Carolina?, operado pelo estado. «No nosso caso, os grupos locais desempenharam também um papel importante», afirma Patrick Hagan, anterior executivo da Livedo. «Por exemplo, o Concílio de Desenvolvimento Económico de Wilson possui locais de pré-construção no Condado de Wilson que nos permitiram implementar um plano de desenvolvimento mais vasto». Outro apoio de longo alcance para as empresas de não-tecidos veio sob a forma de uma generosa assistência de serviço público ? além de uma subvenção de 1,12 milhões de dólares do Condado de Buncombe, onde está localizada Asheville ?, dos quais pôde usufruir a Jacob Holm Industries. Por seu lado, Dennis Norma, vice-presidente do planeamento estratégico da PGI, aponta as favoráveis taxas de electricidade, oferecidas pelo fornecedor de energia do estado, Duke Power, como um grande pólo de atracção; outro foi certamente a proximidade de Mooresville ao ?triângulo de investigação? de Raleigh. Além da INDA, também o Centro de Investigação Corporativo de Não-Tecidos (NCRC) está localizado em Raleigh. Segundo Rory Holmes, a alargada base de não-tecidos existente na Carolina do Norte foi também bastante tentadora para as empresas. «O estado abarca toda a cadeia de valor da indústria dos não-tecidos, não só os produtores como também os fornecedores de equipamento, unidades de venda e centros de distribuição», sublinha. O facto de a Carolina do Norte ser ainda uma fonte de recursos humanos qualificados e com grandes competências foi também certamente um factor-chave para este sucesso. E um exemplo de como se sustenta solidamente qualquer indústria.