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Segurança máxima

Com a saúde não se brinca e na Fapomed, esse lema é seguido à risca. A empresa, que conta com três unidades produtivas, em Portugal e na Ucrânia, continua a apostar no desenvolvimento de novos processos para garantir a segurança dos seus produtos em ambiente hospitalar.

A empresa portuguesa produz kits para blocos operatórios e, segundo revelou o fundador Orlando Lopes da Cunha, num artigo publicado na edição de janeiro do Jornal Têxtil, está constantemente em busca de novos processos e produtos para continuar a merecer a confiança dos profissionais e centros hospitalares.

No passado, foi a introdução de “costuras” por ultrassons que revolucionou a produção de batas cirúrgicas. Duas patentes depois, a Fapomed está à procura de mais uma inovação. «Estamos atualmente a trabalhar com a Universidade do Minho no sentido de vermos se poderemos ter uma terceira patente sobre fatos para ambiente controlado – uma sala limpa, na qual há uma sobrepressão interior em que o ar só entra filtrado por filtros de uma classe muito elevada, que podem gerar proteção até 99,99%», explicou Orlando Lopes da Cunha no workshop “Materiais Fibrosos na Saúde”, organizado pela plataforma Fibrenamics da Universidade do Minho em meados de dezembro.

A empresa possui atualmente três unidades produtivas – em Felgueiras, Baião e na Ucrânia – e exporta cerca de 90% da produção, com destaque para a Europa Central. Uma das razões, para além das vantagens salariais da mão de obra, para a instalação, em 2010, da empresa numa região perto de Kiev. «Grande parte da nossa produção é escoada na Europa Central, logo, como a nossa empresa está situada relativamente perto da fronteira com a Polónia, a logística é muito simples, fica mais barato do que a partir de cá e é mais rápido», apontou o fundador da Fapomed.

No entanto, há diferenças entre a produção realizada pelos mais de 550 funcionários da empresa divididos entre os dois países. «Na Ucrânia fazemos exclusivamente batas cirúrgicas, porque é o core business com que começámos em 1986. Em Portugal fazemos aquelas séries mais pequenas mas que exigem um controlo muitíssimo grande em todas as áreas, a começar pela esterilização, mas também pela biocompatibilidade, etc.», revelou. A multidisciplinariedade das equipas é, por isso, uma obrigatoriedade para a empresa. «Temos um leque de pessoas a trabalhar connosco que vão desde engenheiros biológicos a biologistas e enfermeiros», acrescentou.

O ano de 2014, revelou Orlando Lopes da Cunha ao Jornal Têxtil, «foi o melhor ano do século XXI para nós», e, ainda sem os resultados consolidados fechados, 2015 deverá ter assumido um volume de negócios semelhante, à volta dos 20 milhões de euros. Mas a situação sociopolítica em Portugal está a gerar preocupações, nomeadamente a subida do salário mínimo. «Já temos clientes muito aflitos, a questionar se não é melhor pensarem num segundo fornecedor como alternativa», admitiu o fundador da empresa. Um problema que tem de ser ultrapassado e que pode começar, segundo Orlando Lopes da Cunha, por uma valorização dos próprios portugueses. «Ajuda nos negócios que nos convençamos que somos muito bons naquilo que fazemos», afirmou ao Jornal Têxtil.