Início Arquivo

Sem pezinhos de lã

Como base para a revisão do seu plano estratégico, a Australian Wool Innovation (AWI) confiou à The Woolmark Company a realização de um estudo de mercado estratégico global sobre a lã australiana. O relatório, só agora publicado, surge num momento em que os actores da indústria dos lanifícios mostram-se críticos quanto ao enfoque dos esforços de I&D, e reclamam mais fundos para a promoção da lã. O relatório oferece uma imagem sóbria do estado da indústria dos lanifícios e realça as dificuldades que a mesma encara para conquistar mais mercados face à disponibilidade limitada de fundos.

Esta informação não é restrita à estratégia da AWI e a sua leitura recomenda-se a qualquer organização relacionada com a indústria dos lanifícios. Embora haja diferentes implicações para cada sector da indústria dos lanifícios, a conclusão global é pessimista quando se tem em conta os fundos disponíveis para criar verdadeiras mudanças no entendimento do mercado ou na percepção do consumidor sobre a lã como fibra têxtil.

A lã, na globalidade, perdeu cerca de 20% no volume do consumo mundial entre 1993 e 2002 e 22% da sua quota no sector do vestuário. A procura global de vestuário de lã com qualidade tem sido afectada pela queda do poder de compra do consumidor e pelo fraco interesse da moda em alguns mercados-chave do retalho como a Europa Ocidental e o Japão.

A Woolmark identificou 4 principais tendências dos consumidores no mercado global do vestuário:

– O envelhecimento da população e o aumento dos rendimentos nos mercados maduros.

– Melhorias nos padrões de vida da nova classe média nas economias emergentes da Ásia e da Europa de Leste.

– Tendências de moda e estilos de vida que vão influenciar os segmentos de vestuário tradicionais e combinar elegância, individualidade e luxo com disponibilidade económica, praticabilidade, desempenho e conforto.

– Maior consciência por parte dos consumidores face às questões ambientais, sociais e de saúde, o que origina uma maior ética no consumo e selectividade nas marcas.

As condições económicas, os rendimentos dos consumidores e o crescimento da população serão algumas das principais forças condutoras da procura, em particular da lã fina e superfina.

Em alguns mercados, a procura pode crescer em termos de valor e, em outros, em termos de volume de unidades. A Woolmark conclui que deve existir uma estratégia diferente para a inovação e o desenvolvimento futuro em cada mercado e região geográficos, orientada segundo as especificidades de cada mercado e focalizada nos requisitos do consumidor em cada um.

Ao implementar estas estratégias em segmentos de produto dentro de mercados específicos, a lã necessita de ter uma presença nos segmentos com maior taxa de crescimento sem negligenciar os seus principais produtos maduros.

A Woolmark prevê a “fusão da moda”, o que vai perturbar os segmentos de vestuário correntes e originar novos conceitos e gamas de produto como o casualwear de luxo, o vestuário high tech e o activewear com estilo.

Uma maior quantidade de artigos de vestuário em lã devem poder ir à máquina de lavar e secar, não necessitar de passagem a ferro, resistir à ruga e ao encolhimento para satisfazer a procura crescente em determinados mercados. Há também necessidade de melhorias contínuas na sustentabilidade ecológica.

Os retalhistas estão a aumentar significativamente o controlo do mercado têxtil e do vestuário global e as suas estratégias futuras e decisões de compras são forças condutoras chave da lã australiana. Deste modo, a melhoria da competitividade dos produtos de lã deve permanecer um forte desafio estratégico.

A competitividade global dos produtores chineses e indianos de têxteis e vestuário em lã será uma grande força condutora da lã australiana à medida que os retalhistas procuram controlar adicionalmente as suas cadeias de fornecimento para minimizar os stocks, reduzir os tempos de entrega e obter produtos mais baratos.

A Woolmark admite que os problemas de competitividade da lã não são facilmente resolvidos com a diminuição do preço da fibra para o processamento, à medida que a aumenta diferença com as fibras rivais. O futuro investimento em I&D de uma nova tecnologia de processamento para a lã australiana deve ser cuidadosamente avaliado na perspectiva da sua capacidade de criar mais-valias para o consumidor e benefícios para os produtores de lã.

Em relação à comercialização dos esforços de I&D, a Woolmark insiste que a AWI precisa de desenvolver parcerias com organizações credíveis e importantes empresas de vestuário de marca para posicionar a lã na fileira.

Face a toda esta informação, o dilema é como distribuir os fundos limitados. O Plano Estratégico 2004-2009 da AWI prevê custos totais de I&D no valor de 420 milhões de dólares australianos. Estes fundos serão desperdiçados se forem distribuídos pobremente para abarcar o máximo de forças condutoras chave.