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Sense Bed ou a revolução dos colchões

A Sociedade Têxtil Vital Marques Rodrigues e a plataforma Fibrenamics da Universidade do Minho desenvolveram têxteis inteligentes para colchões que vão permitir reduzir as escaras em acamados.

A ideia do projeto Sense Bed surgiu da análise demográfica de Portugal. «Cada vez mais somos um país envelhecido e, com uma esperança média de vida ascendente, intensifica-se a necessidade de colmatar as fragilidades e impedimentos não só do paciente com mobilidade reduzida, mas também das instituições e do número crescente de familiares cuidadores», explica Tiago Bento, responsável na área da qualidade da Sociedade Têxtil Vital Marques Rodrigues. «O projeto Sense Bed surge desta constatação, do desejo de desenvolver algo inovador tendo em vista o mercado e o meio social em que nos inserimos», acrescenta.

Superfície biomimétca

Depois de dois anos de investigação, a empresa e os investigadores da Fibrenamics desenvolveram uma gama de quatro produtos pensados para melhorar a saúde e o conforto de pessoas com mobilidade reduzida, doenças crónicas ou terminais: uma superfície biomimética de prevenção de escaras que melhora a distribuição do peso da pessoa no colchão, um sistema flexível de aquecimento para controlo térmico, um sistema de monitorização de intensidade de pressão para prevenir o aparecimento de escaras e o quarto produto basicamente agrega os três anteriores.

«No desenvolvimento da camada exterior para o colchão, destinado à prevenção de úlceras de pressão, definiu-se, como conceito base para o design da superfície, as estruturas encontradas em elementos vegetais. A variação dinâmica da forma e os mecanismos de absorção de energia estão presentes em elementos como as folhas de diferentes espécies de plantas», revela Tiago Sousa, designer de produto na Fibrenamics e responsável pela conceção biomimética do Sense Bed, ao Jornal Têxtil. «Neste caso específico optou-se pela análise da morfologia de folhas do tipo longitudinal, que pelos seus canais do tipo paralelo criam um padrão reticulado, para criar diferentes variações, e do tipo diagonal para promover o conforto e a continuidade da superfície», esclarece Tiago Sousa, afirmando que, tendo isso por base, «conseguimos construir uma superfície capaz de se adaptar às zonas identificadas como as de maior pressão no caso de pressão prolongada em pessoas acamadas, de modo a promover a circulação de ar e com bolsas fibrosas para criar maior conforto».

Sistema de aquecimento flexível

Já o sistema flexível de aquecimento é uma estrutura em tafetá. «A composição do tafetá resulta em 12% de material condutor de eletricidade e 88% de material não condutor de eletricidade» indica João Pereira, engenheiro e investigador na Fibrenamics, que destaca que «a existência desse material condutor é o que possibilita o aquecimento. O desafio foi torná-lo flexível, lavável e que não se rompesse em uso regular».

Para tornar os têxteis condutores de eletricidade, foram usados fios baseados em aço inox e carbono, enquanto nos materiais não condutores foi aplicado essencialmente poliéster. «A diferença está na estrutura de conforto com a utilização de PES 1200/60 e o enchimento de lycra», sublinha João Pereira.

O projeto Sense Bed está «ainda em fase de estudo e de análise de vários mercados e possibilidades de comercialização» e os produtos resultantes estão a ser alvo de «otimização», admite Tiago Bento, que adianta, contudo, que «é esperado que entrem em mercado ainda este ano».