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Setem accionista da Zara

A organização não governamental (ONG) espanhola, Setem, comprou 120 acções do grupo têxtil Inditex (cadeia Zara), pelo valor de 370 mil pesetas (445 contos). A Setem promove desde 1997 a campanha Roupa Limpa, através da qual pretende exigir responsabilidades sociais e laborais às empresas têxteis e confecções. O objectivo desta participação accionista simbólica é o de poder estar presente nas assembleias gerais de accionistas e assim controlar as práticas de produção do grupo. A compra das acções funciona também para que a Setem tenha acesso a informação mais transparente sobre a responsabilidade social da empresa. Antonio Codina, director da Setem mostrou especial preocupação sobre as deslocalizações de produção têxtil para a Europa de Leste e para os países subdesenvolvidos, «ssim como o recurso de mão-de-obra da economia paralela em Espanha e Portugal» Este responsável frisou que alguns grupos têm colaborado respondendo a questões e permitindo visitas a unidades em Marrocos como a Cortefiel e a Burberry´s, enquanto que a Zara negou-se a proporcionar qualquer informação sobre onde, como e em que condições são produzidas as suas peças de vestuário, e é esta dificuldade que a Setem espera ultrapassar com a sua presença já na próxima assembleia geral dos accionistas do grupo espanhol. A Zara utiliza um sistema de produção que consiste na subcontratação de mão-de-obra a ateliers e oficinas, visto que o processo de costura requer mão-de-obra intensiva. Para este fim utilizam-se cerca de 400 ateliers, dos quais 96% situam-se em Espanha e Portugal. A empresa também esclareceu que o sistema em vigor para «s ateliers situados em Portugal consiste em facturar-lhes os materiais e comprar as peças de vestuário já terminadas» crescentando que «contratação dos referidos subcontratados se realiza de acordo com a legislação laboral e fiscal». Este tipo de situação tende a ser mais habitual em Espanha e Portugal do que noutros países da Europa, devido aos altos índices da economia paralela e do trabalho precário existente nos países ibéricos. De acordo com os dados do Ministério espanhol do Trabalho e Assuntos Sociais e do Eurostat, em Espanha mais de 50% dos trabalhadores são temporários ou estão contratados a prazo. A situação é especialmente grave na Galiza e no norte de Portugal, onde as zonas de maior produção de vestuário se situam, e onde se processa a maior parte da produção destinada às lojas Zara. O diário La Voz de Galicia, da Corunha, mencionou recentemente declarações de altos funcionários de Bruxelas segundo os quais «se é certo que a precaridade laboral está em aumento em toda a União, não é menos verdade que alguns países têm vindo a impedir ou condicionar estas práticas, enquanto que outros, como a Espanha e Portugal, ou se inibem de combater ou até favorecem a desregulação do mercado laboral».