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Shein destrona H&M na liderança da fast fashion

O corrente ano revelou-se positivo para a Shein, que tem atraído as atenções dos nativos da geração Z. Agora, a marca tem um novo feito a somar aos restantes alcançados: líder de mercado de fast fashion nos EUA.

[©Instagram/@sheinoffical]

Os dados de participação de mercado da Earnest Research revelaram que, ainda que a Shein tenha começado o ano com 13% do total das vendas de fast fashion, a empresa de e-commerce conseguiu duplicar essa percentagem de quota de mercado para 28% a 16 de junho. Segundo a análise, a insígnia sediada na China registou um

crescimento nas vendas de aproximadamente 160% durante esse período.

Com estes novos indicadores, a Shein destronou a H&M na liderança de quota no mercado de fast fashion. A gigante sueca passou a ser responsável por 20% das vendas de fast fashion nos EUA, ficando atrás da Shein por três pontos percentuais.

Das marcas mencionadas pela Earnest Research, a Zara foi a única que aumentou a participação de 9% para 11% no período de seis meses enquanto, nesse mesmo espaço de tempo, a Forever 21 e a Fashion Nova desceram de 11% para 10% e 8%, respetivamente.

A categoria “outros” teve o maior impacto coletivo, uma vez que a participação no mercado desceu de 34% para apenas 23% das vendas de fast fashion dos EUA em meio ano. Nomes como a Asos, Boohoo, Charlotte Russe, Charming Charlie, Cotton On, Hot Topic, Missguided, PrettyLittleThing, Primark, Romwe, Rue21 e Topshop fazem parte dessa categoria.

De modo geral, o mercado total de fast fashion cresceu 15% entre janeiro e meados de junho, pelo que há oportunidades crescentes com o aumento da procura reprimida por vestidos e outro tipo de vestuário social, noticia o Sourcing Journal.

Popularidade virtual

A marca chinesa vinha já a dar cartas entre os consumidores, visto que, em maio último, várias empresas de rastreamento de aplicações móveis mostraram que a Shein foi das aplicações mais procuradas nos dispositivos tecnológicos, ficando em 14.º lugar no iOS, seis posições abaixo da Amazon, mas à frente de todas as outras aplicações de comércio.

[©Instagram/@sheinoffical]
Desde 13 de julho, a retalhista continua a ser o website com maior tráfego comparativamente com outras plataformas de moda e vestuário a nível global, ultrapassando a Nike e a H&M, como sugere a analista SimilarWeb. Além disso, a Shein consta entre os primeiros 20 classificados no que diz respeito à duração das visitas na plataforma, com o tempo de oito minutos e 34 segundos. A aplicação francesa em segunda mão, a Vinted, supera-a com uma média de 11 minutos e 54 segundos por visita. O desempenho progressivo da Shein levou a especulações, com a publicação financeira chinesa LatePost a afirmar que a empresa atingiu uma receita de dois mil milhões de dólares (1,69 mil milhões de euros) somente em junho.

Desempenho mistério

O crescimento da insígnia, que tem sido um sucesso entre os adolescentes e os jovens adultos, é ainda um mistério, muito devido à resposta e entregas cada vez mais rápidas na cadeia de aprovisionamento e também ao lançamento de novos produtos que chegam a um mínimo de mil por dia, segundo um recente relatório da Nikkei Asia. Na prática, a empresa reduziu o tempo desde a etapa do design de uma nova peça até à produção em massa de duas a três semanas para apenas cinco a sete dias.

Ainda de acordo com a Nikkei Asia, os prazos rápidos de entrega não são o único destaque, mas também os 300 fornecedores com que a Shein conta atualmente, dado que utilizam um software de gestão da cadeia de aprovisionamento de forma a melhorar a visibilidade em todas as etapas da mesma. Estes fornecedores estão dispostos a aceitar pedidos até 30 peças, o que permite à Shein testar ideias a preços baixos.

[©Instagram/@sheinoffical]
Tudo isto possibilitou à plataforma de moda vender a preços muito reduzidos, com vestidos de verão a custarem menos de 10 dólares e swimwear disponível por menos de 15 dólares, assim como muitos outros segmentos de vestuário que, mesmo assim, superam as propostas das retalhistas de preços baixos.

Apesar de todo o sucesso, a Shein está atualmente envolvida em processos judiciais por infração de marca registada, por ter apresentado produtos visualmente semelhantes aos de marcas mais caras, como são exemplo as icónicas botas da Dr. Martens.

Embora venda para os principais mercados a nível mundial e esteja sediada na China, a Shein, surpreendentemente, não vende para o país natal e, mesmo que o foco seja primordialmente a moda feminina, a plataforma disponibiliza também roupa, acessórios e calçado para homem e criança e também artigos para animais de estimação.