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Shoppings nos EUA em risco de desaparecerem

O comércio está a viver dias de profunda mudança. Analistas apontam para o desaparecimento de um quarto dos shoppings na América nos próximos cinco anos.

[©AP/Mark Schiefelbein]

O futuro dos shoppings – com vastos estacionamentos, escadas rolantes e ar condicionado – pode ter os dias contados. O sector, que já estava no meio de uma crise nos EUA, viu a pandemia adensar a situação.

Algumas das mais importantes cadeias do país têm as lojas fechadas devido ao Covid-19 e não conseguem fazer face aos encargos, nomeadamente à renda dos espaços. A situação pode ser uma bola de neve, uma vez que o fecho de algumas lojas pode levar outros lojistas a abandonarem os centros comerciais, sobretudo quando se trata de espaços âncoras como é o caso da Neiman Marcus e JC Penney. A situação é tanto mais grave na medida em que algumas das grandes retalhistas especializadas, como a Victoria’s Secret, estão também em processos de “emagrecimento”.

O The New York Times cita vários analistas e avança que um quarto dos centros comerciais corre o risco de fechar nos próximos cinco anos. Um cenário que tem o potencial de recuperar os subúrbios, com as comunidades a debaterem já o que fazer nos shoppings abandonados, havendo em cima da mesa a hipótese desses espaços serem reconvertidos em mercados locais ou escritórios e até mesmo em zona residencial.

«Muitas empresas faliram e este deve ser um movimento que se agravará ao longo de 2020», afirma Deborah Weinswig, fundadora da Coresight Research, empresa de consultoria especializada em retalho e tecnologia. «Mesmo os que não faliram estão a aproveitar a situação para limpar o seu parque de lojas», acrescenta.

Para a consultora, os shoppings capazes de superar a atual turbulência serão mais saudáveis – com melhores inquilinos, espaços mais convidativos e mais ocupados –, mas antecipa que cerca de 25% dos quase 1.200 shoppings do país estão em perigo.