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sia, o próximo Eldorado

A evolução na produção e no consumo de vestuário estiveram em destaque na recente 23rd IAF World Apparel Convention, organizada pela International Apparel Federation (IAF), que decorreu em Taiwan sob o tema: “Asia: An Emerging Consumer Market from a Global Production Base”. No âmbito deste evento, foi argumentado que a Ásia não vai ser apenas a principal região para a produção de têxteis e de vestuário, mas será também o principal mercado consumidor. Não há dúvida de que hoje em dia, o centro de produção de vestuário é na Ásia e o centro de consumo está condensado nos mercados da União Europeia (UE), Estados Unidos da América (EUA) e Japão. No entanto, num futuro não muito longínquo, a Ásia poderá tornar-se o centro de ambos, conforme ficou expresso pelas diversas intervenções que marcaram a convenção. O receio de que a crise do crédito nos EUA pode levar a um abrandamento da economia norte-americana e que alguns governos asiáticos vão sucumbir às pressões para proteger suas indústrias foi fundamental para a intervenção de Marjorie Yang, presidente executiva do Esquel Group com sede em Hong Kong. Yang considera que, com uma população de 3,7 mil milhões de pessoas, o comércio intracomunitário na Ásia vai em breve rivalizar com o dos EUA e da UE. A China e a índia, países em franco crescimento, serão a força motriz desta tendência. Os fornecedores asiáticos são bons na execução do design, mas no futuro será necessário que desenvolvam os seus próprios desenhos e expandam os seus conceitos para o mercado asiático. A distribuição será outra área fundamental, onde o aprender a chegar ao consumidor é factor de sucesso. Mas antes da Ásia poder desenvolver as suas próprias marcas, as empresas têm de aprender e compreender o mercado consumidor da região, para que possam prosperar. William Lakin, director-geral da Euratex, apelou à indústria para rejeitar o proteccionismo e reconhecer a globalização, referindo que tal deve ser feito de forma recíproca. Lakin sustenta que o livre comércio é positivo desde que seja justo. Rory Macmillian, director da Nike na Europa, Médio Oriente e África para assuntos governamentais, acredita que as marcas multinacionais precisam de ter “lean manufacturing”, diversificar e especializar, possuir bons transportes, logística e infra-estruturas, ser vertical no aprovisionamento de materiais e na fabricação, reduzir os prazos de entrega, estar próximas dos seus mercados e dar maior atenção às questões da responsabilidade social. De acordo com Chaw-Hsia Tu, directora adjunta do Centro da OMC (Organização Mundial de Comércio) em Taiwan, refere que as barreiras alfandegárias são simples e claras, mas que as barreiras ambientais, como é o caso do Reach, Oko-tex, e responsabilidade social, são difíceis de quantificar e definir, e estão a tornar-se cada vez mais importantes. O director-geral do IFM (Institut Français de la Mode), Dominique Jacomet, referiu que a moda é a transformação de um património local de forma e torná-lo atractivo a outras culturas. Por seu turno, Jacomet refere que o “branding” está associado ao controlo das lojas de retalho, na medida em que são ligações directas aos consumidores, e que a importância de um forte apoio doméstico não deve ser menosprezada. Actualmente, a China fabrica os produtos, enquanto outros países fabricam marcas, refere Tianxing Shao, vice-presidente da Associação Chinesa de Comércio Têxtil, acrescentando que na China existe escassez de especialistas ao nível do retalho e do design. No entanto, existe um crescimento no retalho à medida que as vendas no mercado doméstico aumentam, o que coloca um dilema às empresas chinesas: servir o mercado interno ou exportar. Justin Huang, secretário geral do Federação de Têxtil de Taiwan, refere que as exportações da China estão a abrandar, resultado da escassez de mão-de-obra, escalada nos custos das matérias-primas, aumento nos custos do trabalho, escassez de electricidade, valorização da moeda e redução nos reembolsos à exportação. À medida que a economia da China prospera, o rendimento tem aumentado e a propensão para o consumo de bens como o vestuário tem crescido consideravelmente. A diminuição dos reembolsos à exportação vai levar as empresas a focalizar a atenção nas vendas internas.