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Simetria no automóvel

As sinergias existentes entre os sectores de plásticos e de moldes, e os avanços na integração de têxteis com plásticos, têm dinamizado a cooperação ao nível do desenvolvimento de produto e de fornecimentos integrados para o sector automóvel. «O aproveitamento destas sinergias conduziu à realização do Simetria – um projecto cujo propósito é não só explorar as sinergias entre instituições mas também entre regiões fronteiriças», explica Fernando Merino, director do Departamento Têxteis do Futuro (DTF) do Citeve. Entre os grandes objectivos do Simetria encontram-se a dinamização das relações de colaboração entre as regiões do centro de Portugal e de Castela e Leão em Espanha, em torno de sectores industriais e de infra-estruturas tecnológicas com potencial de intervenção no cluster automóvel; o estudo, desenvolvimento e optimização de tecnologias, processos e produtos inovadores para reforço de componentes de automóveis com plásticos injectados sobre estruturas têxteis complexas (pré-formas); e a promoção de uma nova cultura de cooperação entre sectores e transformação dos resultados de desenvolvimento em conhecimento passível de ser assimilado pelas empresas da Euro-região. Este projecto, financiada pela Iniciativa da União Europeia INTERREG III A, reuniu não só as competências do Citeve mas também do centro dos moldes e plásticos (Centimfe), aos quais se associou na fase de desenvolvimento de produto a Universidade do Minho. De Espanha, participaram o centro tecnológico automóvel de Valladolid (Cidaut) e o fórum que agrega as empresas do sector automóvel naquela região (Facyl). A coordenação do projecto esteve a cargo da Recet, a associação que coordena as actividades dos centros tecnológicos em Portugal. «Desta cooperação e ao nível de desenvolvimento de produto, há já um resultado muito interessante que consiste no protótipo de um compósito para uma viga de suporte de um painel de instrumentos de um automóvel», revela Fernando Merino. Em particular, estes tipos de vigas são componentes estruturais do cockpit, também designado por painel de instrumentos, e têm como função absorver a energia dos impactos frontais durante a colisão. Desta forma, reduzem os danos na parte interna do automóvel, auxiliam na protecção do condutor e dos passageiros e fornecem rigidez ao painel. Além disso, têm também a função de suportar todo o painel de instrumentos, as condutas de ventilação e de ar condicionado, os sistemas de airbag e os esforços da coluna de direcção. «Trata-se de uma peça fundamental na distribuição de esforços ao solo do automóvel e serve de zona de encaixe dos pilares dianteiros», sublinha o director do DTF. A viga é mais concretamente uma peça revestida com resina époxida, que é aplicada sobre um entrançado de fibra de carbono através de uma tecnologia de transferência da resina para o molde (RTM). A combinação desta tecnologia de aplicação da resina sobre uma pré-forma têxtil, obtida pelo processo de entrançamento, conduz a resultados extraordinários quando se analisa o desempenho mecânico do compósito. «As peças foram submetidas a ensaios de flexão estática e de impacto lateral e os resultados foram confrontados com os requisitos típicos para este tipo de aplicação, assim como com os de uma peça em metal. O desempenho mecânico da peça supera o da viga de metal, estando claramente acima dos requisitos automóvel, e tudo isto com cerca de metade do peso», conclui Fernando Merino.