Início Notícias Marcas

Simplicidade conquista geração Z

Segundo os especialistas, a nova geração de consumidores que tem vindo a concentrar as atenções das marcas de luxo e a merecer as mais criativas estratégias dos retalhistas conquista-se com uma ferramenta até aqui pouco usada quer pelas primeiras, quer pelos segundos: a simplicidade.

Numa altura em que a geração Z – composta por aqueles que nasceram em meados da década de 1990 até ao início dos anos 2000 – continua a acumular poder de compra, as marcas estão trabalhar horas extraordinárias para se conectarem com os seus membros, na esperança de poderem capitalizar com o seu lifestyle.

Porém, para as empresas, a geração Z é um grupo inconstante e misterioso, analisa o portal de moda Fashionista.

44 mil milhões

Os Z’s agregam cerca de 44 mil milhões de dólares (aproximadamente 39 mil milhões de euros) em poder de compra e cerca de 60 milhões dos seus membros residem nos EUA, mais um milhão do que os millennials, segundo a empresa Social Explorer. Cerca de 55% dos membros da geração Z são caucasianos não-hispânicos, 24% são hispânicos, 14% são afro-americanos, 4% são asiáticos e 4% são multirraciais, de acordo com a consultora de marketing Frank N. Magid Associates.

Não obstante, apesar da diversidade, todos os elementos da geração Z têm pelo menos uma coisa em comum: nenhum deles viveu num mundo sem Internet ou smartphones. Considerando que esperam acesso fácil à web, os retalhistas poderiam pensar que a geração Z depende totalmente do comércio eletrónico. Contudo, os estudos recentes mostraram que, embora os smartphones os mantenham muito bem informados, os membros da geração Z continuam a visitar e a comprar em loja.

Aproximadamente 98% da geração Z vai às lojas para encontrar algo de que está à procura, efetuando cerca de 67% das compras em lojas físicas. As razões, segundo a Euclid Analytics, prendem-se com questões de proximidade, partilha e de contacto com os lojistas (ver Geração Z redifine retalho).

Considerando estes fatores, as marcas precisaram de se esforçar muito para se aproximarem desta geração e muniram-se de todas as armas disponíveis. Ainda assim, muitas têm falhado. Qual será o segredo?

Sem atrito

O painel “What Does Gen Z Want Next?”, integrado na conferência “Fashion Culture Design”, que decorreu recentemente em Nova Iorque, com palestrantes que incluíram, entre outros, Leandra Medine, da plataforma Man Repeller ou o guru do streetwear, Jeff Staple, da Staple Design, procurou responder à questão.

«Procuro constantemente simplificar tudo», reconheceu Medine, membro da geração millennial e uma das influenciadoras de estilo junto dos Z’s. Do seu ponto de vista, os consumidores mais jovens descobriram «como simplificar» o seu dia-a-dia, muito auxiliados pelas ferramentas digitais, e esperam isso de todas as suas interações.

Já Staple sugeriu o exemplo de sucesso da marca contemporânea e de streetwear Anti-Social Social Club, fundada por Neek Lurk, em Los Angeles, há pouco mais de dois anos. A estratégia de negócio simplificada e descomprometida atrai mais a geração Z do que qualquer outro grupo de consumidores. Staple explicou que Lurk desenha a linha de produtos no Photoshop, promove-a no Instagram e, posteriormente, arrecada 8 milhões de dólares antes de os itens ficarem sequer disponíveis para compra. Tudo acontece em rede e de forma transparente – fatores privilegiados por uma geração conhecida pelo seu filtro de 8 segundos de atenção.

No entanto, os Z’s são menos leais às marcas (ver Geração Z compra pelos botões). Apenas 16% fazem compras numa só loja para vestuário/moda (em comparação com 26% dos millennials).

Mais do que isso, os elementos da geração Z são compradores impulsivos e estão mais propensos ​​do que os millennials a fazer uma compra apenas porque querem comprar algo ou porque viram aleatoriamente algo de que gostaram.

Já de acordo com Leslie Ghize, vice-presidente do think tank Tobe, e palestrante no painel “What Does Gen Z Want Next?”, a geração Z valoriza a originalidade e a autoexpressão – muito mais do que os millennials – e querem estar envolvidos no storytellings das marcas.

Considerando isto, estarão as marcas de herança completamente perdidas dos consumidores Z? Não. Segundo Staple estas passaram apenas a conviver no mesmo look com marcas emergentes, porque este segmento de consumidores gosta de “misturar”.