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Sinais de mudança

A análise realizada pelo Emerging Textiles sobre o comportamento no mercado da União Europeia (UE) das importações de vestuário de malha e de tecido com origem na China, ao longo do primeiro trimestre de 2006,revela uma tendência negativa ao nível dos volumes importados, mas uma subida no valor, à medida que os preços aumentaram para as importações de vestuário de malha e de tecido. As importações comunitárias de vestuário chinês em malha e em tecido registadas ao longo do primeiro trimestre do ano foram, como seria de esperar, muito inferiores às registadas ao longo do primeiro trimestre de 2005, na medida em que as quotas estão agora a restringir as encomendas em diversas categorias de artigos. Durante 2005, a China aumentou de forma significativa as suas exportações, originando a quebra nas importações da UE com origem em fornecedores comunitários mais tradicionais, como no caso da Tailândia e da Coreia do Sul. Mas, com as quotas a limitarem o volume das importações em 10 das 35 categorias de vestuário e de têxteis da UE até ao início de 2008, a evolução das importações com origem na China registou agora um retrocesso. Importações de malha diminuem As mudanças mais significativas registaram-se nas categorias gerais, como a HS 61 (vestuário de malha) onde o volume das importações caiu 21,73% no primeiro trimestre, contrastando com o forte crescimento de 53,4% registado ao longo de 2005. Ao longo deste período, os preços unitários também registaram uma subida, aumentando cerca de 30% para a categoria HS 61 e 41,7% para a categoria HS 62 (vestuário em tecido). Esta situação resultou no aumento do valor das importações do vestuário em malha e em tecido na maior parte dos principais mercados. Estes principais mercados, responsáveis por cerca de 61% de todas as importações de malhas em termos de volume, foram: Itália, Alemanha, Reino Unido e Espanha. Outros mercados como a Bélgica, a França e a Holanda foram responsáveis por quotas de cerca de 6% a 7% cada um. O volume das importações diminuiu em todos estes países, com a excepção da Bélgica, onde os volumes efectivamente aumentaram 22.67%. Alemanha é o principal mercado para o tecido A distribuição das importações de vestuário de tecido (categoria HS 62) pelos diversos países comunitários foi ligeiramente diferente à registada no vestuário de malha, com a Alemanha a posicionar-se confortavelmente como principal comprador, sendo responsável por uma quota de 23,56% de todas as importações. As importações para o mercado germânico decresceram perto de 2% no primeiro semestre, mas os preços mais elevados resultaram numa subida de 25,5% no valor das importações, em relação ao registado no ano anterior. Nas importações de vestuário de tecido a Alemanha foi seguida pela Itália com uma quota de 16,56% do mercado de importação, o Reino Unido com 10,14% e a Espanha com 7,27%. A França, à semelhança do que foi registado com o vestuário de malha, foi mais uma vez um importador modesto de vestuário chinês em tecido (quota de 6,83%), apesar de ser uma das principais economias europeias. Aumento no preço unitário Ao longo do primeiro trimestre do ano, foi registada uma subida significativa no preço médio das importações comunitárias nestas duas categorias, o qual foi de 29,87% para a categoria HS 61 e de 41,71% para a categoria HS 62. Os preços médios unitários variaram muito de país para país registando um valor médio de 11,92 euros por kg no caso do vestuário de malha e de 12,04 euros por kg no vestuário em tecido. A tendência geral para a subida foi contrariada pela Alemanha na categoria HS 61 e pela Polónia na categoria HS 62. Categorias específicas em análise Analisando o impacto das quotas alfandegárias sobre determinadas categorias HS de importações com origem na China, os dados revelam a existência de algumas quebras acentuadas ao nível do volume das importações e preços unitários mais elevados, evidenciando uma tendência no sentido da produção de vestuário com melhor qualidade. Esta tendência é também sentida nas categorias de artigos que não se encontram sujeitas a quotas alfandegárias. Por exemplo, na categoria SIGL 4 esta tendência foi evidente no conjunto de artigos que abrange os pólos em malha para homem (HS 6105) o qual registou uma subida de 459,72% ao longo de 2005, enquanto que no primeiro trimestre do ano registou uma quebra de 91,58% no volume das importações. Também as t-shirts (HS 6109) e os jerseys (HS 6110) registaram taxas de quebra na ordem dos 58,85% e 66,89% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Esta tendência ficou também evidenciada na categoria SIGL 7 (blusas e camisas para senhora e criança) com quebras acentuadas nas blusas de malha (HS 6106) e nas blusas em tecido (HS 6206). Também na categoria SIGL 31 foi registada uma quebra de 38,91% nos soutiens (HS 6212). No entanto, a influência causada pelas restrições alfandegárias foi limitada em diversos níveis pela subida no preço unitário, resultando num impacto menor na quebra registada na evolução das importações em termos de valor. Esta subida foi evidente ao nível dos preços unitários em diversas categorias de artigos, por exemplo: os artigos da categoria HS 6105 registaram uma subida de 737,59% no valor, aumentando dos 4,16 euros por kg registados em média ao longo de 2005 para os 16,72 euros por kg no primeiro trimestre do ano. À semelhança desta situação, os preços unitários registaram uma subida em diversos tipos de artigos, independentemente de se tratarem de categorias sujeitas ou isentas de quotas alfandegárias. Esta tendência poderá ter resultado de uma absorção do preço da quota paga pelos exportadores chineses, ou poderá apenas reflectir a adaptação da China à crescente qualidade dos seus produtos para diminuir os prejuízos causados pelas quotas.