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Sinais positivos no calçado

A dar passos positivos na recuperação das quebras do ano passado, o calçado nacional está na Micam, representado por uma comitiva mais reduzida, mas cheia de esperança. O primeiro dia da maior feira mundial do sector ficou marcado por um otimismo generalizado dos expositores portugueses.

[©Nuno Santiago]

São 34 as empresas lusas de calçado que estão em Milão a apresentar as novidades do sector até terça-feira, na expetativa de poderem correr atrás do prejuízo deste último ano e meio, consequência da pandemia de covid-19.

Afetada com quebras de 50%, a Cool Gray está «bastante otimista», nas palavras do seu administrador Pedro Alves, e prevê recuperar os 5,5 milhões de euros de volume de negócios até 2022.

[©Micam]
Já com o stand movimentado quer apagar da memória a edição de setembro de 2020 e centrar-se no futuro. «Mais do que números, é podermos voltar a reunir com os nossos clientes e estabelecer novos contactos, e já fizemos alguns. É sinal de dinamismo e resiliência», revelou ao Portugal Têxtil.

Há precisamente um ano, a empresa Carité aventurou-se a apresentar, pela primeira vez na feira, a Tentoes. Mas devido à pouca afluência de compradores, a marca de sapatos biodegradáveis acabou por regressar a Portugal sem contactos. Com um posicionamento “made in Nature”, a marca espera agora que a aceitação no mercado seja grande porque «cada vez mais se fala na sustentabilidade e este novo produto foi pensado com uma grande preocupação ambiental», explicou Pedro Lopes, diretor comercial da Tentoes.

Estreante e otimista mostra-se também a marca de bolsas My Cute Pooch, que encerrou o primeiro dia de feira com um balanço positivo. «Estamos a ter bastantes visitas ao nosso stand e conseguimos estabelecer negócios com duas lojas de Milão», adiantou Mara Ferreira, fundadora da marca.

[©Nuno Santiago]
O primeiro dia da Micam ficou igualmente marcado pela visita oficial do Secretário de Estado Adjunto e da Economia João Correia Neves, que destacou o esforço da presença portuguesa no certame, que tem vindo a acompanhar desde fevereiro de 2020, o início da pandemia. «Estive na feira onde isto tudo começou, estive também na feira de setembro, que foi muito difícil. Aqueles que cá vieram, vieram com um esforço tremendo e o nível de visitantes a essa feira foi muito complicado, e quando entramos na feira não estava praticamente ninguém. Hoje já vemos um sinal positivo. Hoje há aqui um horizonte de esperança», afirmou.

À semelhança do anúncio realizado na Munich Fabrics Start, João Correia Neves assumiu que não vai descalçar o sector e prometeu «apoios de investimentos aos meios de produção e à promoção internacional».

Exportações crescem mais de 12% na primeira metade do ano

O presidente da APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos considera este regresso à Micam como uma «lufada de ar fresco para as empresas». Luís Onofre assevera que o primeiro semestre do ano foi «bastante positivo para o sector, com um aumento de 12% nas exportações do calçado comparativamente ao período homologo, atingindo os 800 milhões de euros».

Com boas perspetivas para o futuro, o presidente da APICCAPS aponta para uma plena recuperação a nível mundial em 2023.

João Maia, João Correia Neves e Luís Onofre [©Nuno Santiago]
Apesar do recuo das exportações em França (menos 2,6%, para 144 milhões de euros), a Europa é, por agora, um grande motor de crescimento do setor. Destaque para o aumento dos envios para a Alemanha – que superou a França e ascendeu ao primeiro lugar entre os grandes mercados da indústria portuguesa de calçado– com uma subida de 39,4%, para 186 milhões de euros.

No espaço comunitário, destaque ainda para os bons desempenhos dos Países Baixos (mais 12,3%, para 111 milhões de euros) e de Espanha (mais 2,9%, para 52 milhões de euros). Também no Reino Unido há bons indicadores a reportar (mais 14,1%, para 41 milhões de euros).

Fora do espaço europeu, os EUA (mais 10%, para 33 milhões de euros), a China (mais 32,8%, para 9,6 milhões de euros) e o Canadá (mais 41,2%, para 9,5 milhões de euros) são os mercados que se destacam.