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Síria: Exportações para a UE ficam aquém das expectativas

O aumento dos preços do fio, a guerra no Iraque e as sanções norte-americanas foram factores que tiveram uma influência negativa nas exportações da Síria para a UE, principal destino das exportações deste país, conforme nos relata Jozef De Coster no estudo publicado pelo Just-style.com. A Síria já possuía um sector têxtil bem desenvolvido muitos séculos antes dos Gregos e dos Romanos. Hoje em dia, a indústria têxtil continua a ser um dos principais pilares da economia da Síria. Empregando cerca de 500.000 trabalhadores, a indústria têxtil e de vestuário representa cerca de 30% do total do emprego na área industrial e mais de 40% do total das exportações (excluindo as exportações de petróleo). Após nacionalizar a maior parte da sua indústria têxtil no final dos anos 50, a Síria registou uma transição lenta (apenas em 1990) para renovar o relacionamento entre os sectores público e privado. Hoje em dia, o sector público representado pelo GOTI (General Organisation for Textile Industry) emprega menos de 30.000 trabalhadores, ou seja, apenas 6% do total dos trabalhadores sírios na indústria têxtil e de vestuário, mas mesmo assim produz cerca de 90% do total do fio de algodão utilizado no país. Existem oito empresas de fiação detidas pelo Estado sírio, entre as quais se destacam: Lattakia Cotton Spinning Co. (com uma capacidade de 27.000 toneladas por ano), Jableh Spinning Co. (24.000 toneladas por ano) e General Company for Cotton Yarn (20.000 toneladas por ano). Regulamentações governamentais As regulamentações governamentais proíbem os produtores têxteis sírios de importar fio que possa ser adquirido internamente. Na medida em que a Síria não produz fibras não-naturais, as empresas sírias podem importar fibras sintéticas (a uma taxa de importação de apenas 1%), assim como fios e tecidos sintéticos. Em 2002, o governo sírio reviu em baixa o preço do fio de algodão, de forma a ir ao encontro do preço nos mercados internacionais. No entanto, em Junho de 2003, o governo aumentou os preços do fio de algodão em 35% e em Março de 2004 registou-se uma subida de 14%. De forma não surpreendente, diversas empresas privadas de topo, tal como a Deiri, Sabbagh & Sharabati e a Hajjar & Co. têm focalizado a sua atenção na produção de fios sintéticos. Aleppo, no Norte da Síria, é o centro da indústria têxtil e de vestuário no país. O instituto italiano para a promoção industrial, que recentemente examinou o “cluster” que caracteriza a região de Aleppo, elogiou a forte tradição cultural da cidade em têxteis e vestuário, o seu elevado grau de especialização, a massa crítica das empresas e a presença de estruturas educacionais e instituições como a câmara de indústria e comércio. Produção e exportação No que diz respeito aos dados estatísticos ao nível da produção, pese embora a subvalorização dos dados do sector privado, a Síria produz anualmente cerca de 100.000 toneladas de fio de algodão, 30.000 toneladas de têxteis de algodão, 25.000 toneladas de têxteis sintéticos e 9.000 toneladas de têxteis de lã. A UE é o principal destino de exportação para os têxteis sírios. No entanto, diversos factores directos e indirectos, tal como o aumento no preço dos fios, a guerra no Iraque e as sanções dos EUA influenciaram negativamente as exportações sírias. No entanto, a exportação de tecidos está a registar uma boa evolução, ao contrário das exportações de fios e têxteis-lar que têm registado uma quebra. Comércio informal evidencia potencial de internacionalização No centro da cidade de Aleppo, dezenas de lojas de vestuário atraem os clientes com nomes e publicidade em cartazes cujo formato ser assemelha ao que se via em Istambul durante os anos noventa. Aleppo é actualmente um importante centro de comércio informal de vestuário cujos principais clientes são a Rússia e os países da Ásia Central. Aos domingos, milhares de clientes libaneses exploram as lojas de venda a retalho em Damasco e outras cidades, com o objectivo de comprarem o vestuário fabricado na Síria. Este tipo turismo vem confirmar que os artigos de vestuário sírios seduzem até os clientes mais exigentes, mesmo os libaneses mais refinados, que defendem que Beirute é a Paris do Médio Oriente. A preferência dos russos e dos libaneses pelo vestuário fabricado na Síria não se deve propriamente aos preços competitivos do vestuário da Síria. Na realidade, os produtores de vestuário da Síria encontram-se numa posição desvantajosa em termos de preço ao nível internacional se utilizarem os seus tecidos de algodão (o preço doméstico dos fios de algodão e materiais excedem o preço médio internacional) ou de tecidos não-naturais (a Síria não possui unidades de produção de fibras não-naturais). Devido a estas questões os produtores do país optaram por produtos de elevada qualidade e com uma maior componente de moda. Acordos com as marcas Até recentemente, a importação de vestuário para a Síria era proibida. No entanto, alguns produtores de vestuário sírios chegaram a acordo com os produtores de marcas estrangeiras de renome, possibilitando o fabrico e a distribuição destes artigos no mercado interno. As empresas Al-Zayed em 1991 com a produção e distribuição de produtos da Adidas e a Amal Samha Co em 1994 com a marca Benetton lideraram o caminho. Estas empresas foram seguidas por muitas outras que produzem e vendem artigos de marcas internacionais como: Kickers, Absorba, Ted Lapidus, Stefanel, Lois, Pierre Balmain e Naf Naf, para referir apenas algumas. Alguns produtores sírios de vestuário também conseguiram desenvolver marcas fortes no mercado interno, tal como Asseel e Hanin (roupa interior feminina), Assia, Hajjo e Marina (fatos para homem), e Four Hundred (camisas para homem), uma marca desenvolvida pela Seif Bros. Todas estas empresas desenvolveram as suas próprias cadeias de retalho nas principais cidades. A maior parte também exporta os seus artigos, recorrendo à utilização da sua marca própria ou através da subcontratação. Até à data, considerando as suas óbvias vantagens competitivas (baixos custos de produção, proximidade e livre acesso à UE, competências dos recursos-humanos, etc.), o desempenho da Síria como fornecedor de vestuário para a UE, tem ficado abaixo daquilo que seria previsível. Poucos casos de sucesso No âmbito deste panorama, têm existido alguns casos de sucesso. Em 1998, a empresa estatal Orient Underwear Manufacturing Co, conseguiu o contrato para produzir 1,5 milhões de t-shirts para o Campeonato Mundial de Futebol de França. A empresa privada Bawadekji, fabricante de t-shirts e roupa interior, fornece para o Grupo Metro na Europa e a Wal-Mart nos EUA. Mohammed Jillati, economista na câmara de comércio de Aleppo, receia que os empreendedores sírios, que durante tanto tempo beneficiaram de um mercado doméstico bem protegido, possam ter perdido a capacidade competitiva. No entanto, algumas empresas sírias como Asseel e Hanin (roupa interior) e Saliba (jeans) têm a ambição de vender produtos com marca própria na Europa, mas a maior parte tem por principal foco o mercado interno. A recente evolução das exportações de vestuário da Síria para a UE25 (principalmente compostas por t-shirts, fatos, casacos e camisas) tem ficado aquém das expectativas. Em 2004, o total das exportações sírias de vestuário para a UE25 registou um ligeiro aumento dos 95 milhões de euros para os 96,1 milhões de euros (subida de 1%). No entanto, durante o primeiro semestre de 2005, registou-se uma quebra de 18%.