Início Destaques

SIT joga na inovação

Sustentabilidade, performance e inovação são os conceitos-chave da atual estratégia da SIT – Seamless Industrial Technologies. Entre os artigos estrela da produtora de vestuário seamless estão um fato com compressão e lã merino e produtos de performance com fios reciclados.

Na nova coleção, a empresa, anteriormente conhecida por Sonicarla Europa, apostou nos fios reciclados para mostrar aos atuais e potenciais clientes que performance e sustentabilidade não são incompatíveis. «Tem a ver com aquilo que sentimos que deve ser a nossa preocupação, a preocupação de todas as empresas e de todo o mundo com o planeta», justifica Rui Castelar, diretor-geral da SIT – Seamless Industrial Technologies.

Sob a etiqueta We Are Seamless, que se tornou a máxima da empresa, a coleção própria usa poliésteres e poliamidas reciclados, sem contudo comprometer a performance. «Conseguimos atingir os mesmos objetivos com um fio reciclado que com um fio normal de poliéster», garante Rui Castelar.

Investir para crescer

Atualmente com um parque de máquinas composto por 40 teares, cinco máquinas de termofixação, seis máquinas na tinturaria e com a confeção dentro de portas – em 2018 houve um investimento de cerca de 800 mil euros em quatro teares e na área do laboratório –, a SIT, que emprega 150 pessoas, consegue inovar de forma sustentável ao longo de todo o processo produtivo, indica o diretor-geral da empresa.

«O nosso trabalho está centrado desde o underwear ao activewear. Fizemos esta coleção para que os nossos clientes possam escolher e possam ver que, de facto, é possível atingir exatamente as mesmas coisas com fios reciclados», acrescenta.

O Norte da Europa, o Reino Unido e os EUA são atualmente os principais mercados da SIT, que em 2018 exportou cerca de 90% da produção, que varia entre 50 e 80 mil peças por mês. «Foi um ano atípico. Este ano vamos exportar apenas 80% porque temos vindo a crescer com algumas marcas sediadas em Portugal», justifica Rui Castelar.

Em termos de clientes, a empresa está focada em «séries relativamente pequenas, mas com produtos de alto valor acrescentado», afirma o diretor-geral, que adianta que os produtos confecionados em Mogege estão disponíveis em grandes armazéns como como o El Corte Inglés e o Selfridges, assim como nas plataformas Net-a-Porter e Farfetch.

I&D premiado

A inovação é um dos mantras da SIT, que conta com um departamento de I&D com quatro pessoas dedicadas e recursos humanos qualificados, e, por isso, está constantemente a trabalhar em novos projetos nesta área.

«Temos uma série de projetos submetidos com o CeNTI e com o Citeve», revela Rui Castelar que, contudo, critica a morosidade na avaliação. «Infelizmente o acesso a projetos em Portugal é demasiado demorado. Temos projetos submetidos há dois anos para os quais ainda estamos à espera de resposta. Hoje em dia, aquilo que era inovador há dois anos já está no mercado», nota.

Em 2018, a empresa venceu um dos iTechStyle Awards pelo seu fato interior para ski, que junta compressão e lã merino. «A lã merino, sendo um produto natural, não tem quase elasticidade nenhuma. Usamos poliamida para lhe dar alguma elasticidade e fazer com que o fato pudesse ser ajustado ao corpo», desvenda Rui Castelar.

A médio e longo prazo, a empresa, que em 2018 registou um aumento de cerca de 10% do volume de negócios, para 4 milhões de euros, tem como objetivo «entrar lentamente nos produtos cada vez mais técnicos, sobretudo na área da electroestimulação. É uma tendência de mercado e achamos que funciona via vestuário seamless», justifica o diretor-geral da SIT. A empresa deu já passos nesse sentido. «Ainda estamos numa fase muito embrionária mas estamos a trabalhar sobretudo com parcerias, essencialmente com os centros de I&D que temos em Portugal», conclui.