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Smartex prepara evolução

Depois de instalar a sua tecnologia de deteção de defeitos e controlo de qualidade em produtores de malha em países europeus e asiáticos, a Smartex está a dar os próximos passos e prepara-se para entrar também nas tecelagens.

António Rocha

O sistema criado pela start-up portuguesa, fundada em 2018 por Gilberto Loureiro, António Rocha e Paulo Ribeiro, baseia-se em inteligência artificial e permite a deteção de defeitos durante a tricotagem. Quando é detetado um problema, o tear para imediatamente, evitando, dessa forma, o desperdício de matéria-prima, mas também de água, energia e produtos químicos, uma vez que na produção convencional, o defeito pode ser detetado apenas após o tingimento e acabamento.

«Instalamos o hardware e desenvolvemos também o software necessário para fazer a captação de imagens, porque é baseada em imagens, para reduzir o desperdício por qualidade dos nossos clientes para perto de zero», afirma António Rocha, cofundador e CTO da Smartex.

O desenvolvimento tem atraído empresas nacionais e internacionais da indústria têxtil, tendo ainda sido reconhecido na última Web Summit. «O prémio [venceu o concurso Pitch, direcionado para start-ups] mudou bem mais do que esperávamos, permitiu termos visibilidade para construir uma equipa [atualmente são 60 pessoas em Portugal], para essas pessoas que nos ajudam saberem que existimos, saberem qual é a nossa missão e sentirem-se atraídas por isso. Esse é o principal objetivo destes eventos, conseguirmos atrair talento para construirmos a melhor equipa possível», revela.

Conquistas internacionais

Atualmente, a Smartex tem já «quase milhares de sistemas vendidos e centenas deles instalados», o que permitiu aperfeiçoar a tecnologia, embora haja «sempre espaço para melhoria. Por exemplo, sermos capazes de minimizar ainda mais o tempo que o sistema demora a aprender um tipo de malha novo, ou seja, tornar isso num processo quase instantâneo ou de poucos minutos», exemplifica o CTO.

Além de Portugal, onde tem clientes como a Tintex, a Impetus e a Familitex, a Smartex tem ainda clientes em Itália, na Turquia, no Paquistão e no Uzbequistão. «São realidades bastante diferentes, com muitos pontos em comum, sendo que a principal diferença é o volume e, também, serem mercados mais recentes. Enquanto aqui em Portugal e em Itália temos encomendas cada vez mais pequenas, talvez de maior valor acrescentado, nos outros mercados ainda são ordens muito grandes, a produção é contínua, em grande volume, provavelmente de produtos de menor valor acrescentado. Um produto como o nosso é interessante de maneiras diferentes em ambos, o impacto do controlo de qualidade eficiente é equivalente em ambos os mercados, até porque depois as matérias-primas, em muitos dos casos, custam o mesmo. Daí termos uma adoção também sistemática nestes novos mercados», aponta António Rocha.

Tecelagem na mira

A tecnologia pode agora conhecer novas aplicações dentro da indústria têxtil. «Temos alguns clientes e parceiros que, para além de terem a produção em tricotagem, têm também em tecelagem, e esses parceiros estão a ajudar-nos a projetar como vamos entrar nesse mercado. É uma das próximas, e mais prováveis, transições do nosso produto, dado como o mercado está a evoluir e também a natureza do produto ser facilmente transitável para esta indústria», adianta ao Jornal Têxtil. «Estamos na fase da conceção e do desenvolvimento do plano do projeto, para pormos no mercado. Ainda não será este ano, mas será certamente em breve», acredita o cofundador e CTO da Smartex.

Essencialmente, a empresa está a recolher dados, incluindo imagens, de tecidos com vários debuxos e diferentes tipos de defeitos para poder avançar para as tecelagens. «Isso é o primeiro passo. Depois vamos ver se teremos que mudar alguma coisa no sistema que faz essa recolha de imagens para sermos capazes de instalá-lo nas máquinas. Temos a noção que essa segunda parte será mais simples do que entrar em teares circulares, dada a geometria e o processo produtivo dos dois», explica António Rocha.

A Smartex, de resto, quer apresentar-se «não só como um sistema que pode automatizar os processos de qualidade e reduzir o desperdício e defeitos, mas também como uma plataforma que permite, com esses dados, tomar decisões mais informadas sobre a linha de produção e os sistemas de qualidade. Ou seja, pretendemos, a prazo, tornar-nos não só um produto que faz controlo de qualidade, mas que é uma plataforma não só para a tricotagem ou para a tecelagem, mas para toda a indústria têxtil e para toda a cadeia de abastecimento estar mais conectada, menos fragmentada, conseguir comunicar melhor assincronamente, partilhar informação, de forma a tornar-se mais eficiente. Achamos que esse será o nosso principal fator diferenciador a longo prazo», conclui António Rocha.