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SMBM derruba fronteiras

Decidida a pôr fim a todas as fronteiras, a SMBM avança já este mês para a sua primeira experiência em feiras internacionais, com a estreia na Première Vision Yarns. Um passo natural para a produtora de fios que acumula o know-how de mais de 50 anos de história e que recentemente anunciou uma parceria com a designer Susana Bettencourt.

Bernardino Andrade, Manuel Ferreira e Cristiano Ferreira

Embora a designação SMBM seja mais recente, a história da empresa começou há mais de meio século com a Fifitex, absorvida pela fiação já neste milénio. «A SMBM existe desde 2001, vem no seguimento de outra empresa familiar, a Fifitex, fundada em 1965, e acumulou muito know-how ao longo deste tempo», conta o administrador Bernardino Andrade na edição junho do Jornal Têxtil.

As competências e valências da empresa estão a ser impulsionadas e adaptadas à realidade atual, partindo da necessidade de enveredar pela exportação. O local escolhido foi Paris e a Première Vision Yarns. «Havia já um espírito de conquista de novos mercados. Quase todos os nossos fios são para exportação, ainda que indiretamente. A exportação direta quase não tem peso – apenas 2% a 3% da nossa faturação é para clientes estrangeiros», revela Bernardino Andrade.

O mercado espanhol é, para já, o único que a SMBM trabalha diretamente, pelo que a participação nesta primeira feira deverá alargar os seus horizontes. «Estamos a criar toda uma estrutura em termos de recursos humanos, de imagem, de processos. Há toda uma reorganização, é mesmo um novo passo», sublinha o administrador. «Vamos transportar-nos para novas fronteiras, mas temos de ter uma estabilidade que permita responder aos desafios. Não podemos ir à feira expor, mostrar produtos muito interessantes e o cliente depois abandona a feira e nunca mais se lembra de nós se não houver o acompanhamento comercial», reconhece.

A criação de um departamento de marketing está já em curso, assim como o desenvolvimento de novos produtos com maior valor acrescentado. Na estreia agendada para setembro, a oferta da SMBM estará focada «nos borbotos, nos linhos de cores, nos fluorescentes, nos fios rústico, nos injetados, multicolores, jaspés flamés», enumera o diretor-geral Manuel Ferreira, impulsionador do desenvolvimento de novos produtos. «Às vezes digo que não há ninguém como nós. Somos tão rápidos, versáteis, inovadores. Fazemos tudo cá dentro. O cliente chega ao ponto de trazer uma amostra minúscula de uma malha ou de um tecido em que quase não se veem as fibras e nós conseguimos desenvolver o produto», garantiu Manuel Ferreira, que tem neste momento os fios técnicos na linha de mira. «Gostava muito de entrar nas aramidas», confessa ao Jornal Têxtil.

Primeiros passos na passerelle

Esta capacidade inovadora da empresa vai agora apresentar-se também em força na passerelle, já que a empresa estabeleceu uma parceria com Susana Bettencourt. Com a marca Fifitex, a empresa tornou-se oficialmente a fornecedora de fios da designer, sendo que a coleção para a primavera-verão 2018, que irá ser apresentada em Paris e no Portugal Fashion, já está a ser produzida com fios Fifitex.

«Esta parceria foi construída tendo por base os valores partilhados entre estas duas marcas: elevada qualidade, inovação e criatividade. Para além disso, a imagem de marca da Susana está totalmente alinhada com o ADN irreverente da Fifitex, tendo em conta que a primeira é reconhecida pelas suas criações coloridas e feitas à mão», destaca a empresa em comunicado.

«A matéria-prima que escolhemos para produzir as nossas peças é essencial para garantir a qualidade de excelência. Por isso é que fizemos uma parceria com a Fifitex», refere, por seu lado, a designer na sua página de Facebook.

Futuro em construção

Atualmente, a SMBM tem a produção – que ronda as 100 toneladas mensais em contínuo de anel e 12 toneladas mensais em open-end – distribuída pelo sector malheiro (75%) e pela tecelagem, tapeçaria e têxteis-lar (25%).

«Nunca vamos abandonar a moda, mas queremos desenvolver uma área que não existe, a de fios técnicos, essencialmente porque o mercado de moda é muito volátil, enquanto os fios técnicos dão outra sustentabilidade à empresa, uma estabilidade financeira mais regular», explica o diretor de operações Cristiano Ferreira.

Uma estratégia que passa pelo estabelecimento de parcerias com instituições do sistema científico. «Procuramos abrir as portas da SMBM para essas parcerias com as universidades e tentar ir buscar ideias, porque elas existem nas universidades, criar parcerias, disponibilizar os recursos e apoiar», assegura Cristiano Ferreira.

Apesar de elevadas expectativas para a Première Vision Yarns, a SMBM mantém os pés no chão, a mesma estratégia que lhe permitiu superar os embates pelos quais passou na última década, da abertura do mercado à China até à crise financeira mundial.

«Não estamos à espera de retorno em 2017, até porque a feira é em setembro», afirma ao Jornal Têxtil Bernardino Andrade, que antecipa já a repetição da presença em Paris no próximo mês de fevereiro.

«Esperamos que 2018 traga alguma quota de mercado internacional, na ordem dos 10%. Mas é um número que será a nossa Estrela Polar. Depende da reação do mercado, porque não temos experiência», admite o administrador que aponta como meta «ir incrementando gradualmente essa quota até aos 25%».

Com um volume de negócios de 4 milhões de euros em 2016, a SMBM, que emprega 95 pessoas, quer alcançar os 5 milhões euros em 2018. «Esperamos crescimentos sucessivos a dois dígitos tanto para este ano como no próximo», adianta ao Jornal Têxtil.