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(Sobre)saltos da economia

Face aos acontecimentos que têm caracterizado o ambiente internacional, parece que a altura dos saltos tem agora algo a dizer sobre o estado da economia. Um novo estudo da IBM sugere que em vez de os saltos ficarem mais altos, como é geralmente o caso numa recessão, as mulheres estão desta vez a voltar-se para o calçado de saltos baixos à medida que a crise global se arrasta. Segundo o documento, a implicação é que os compradores podem estar a preparar-se para uma «austeridade de longo prazo». Os resultados da IBM surgem depois de ter monitorizado milhares de milhões de mensagens dos media sociais. E certamente consideraram as tendências registadas nos últimos 100 anos, quando a altura dos saltos aumentou durante as recessões mais proeminentes da história dos EUA. Os sapatos de saltos baixos na década de 1920 foram substituídos por saltos altos e plataformas durante a Grande Depressão. As plataformas foram novamente reavivadas durante a crise do petróleo de 1970, invertendo a preferência por sandálias de saltos baixos no final dos anos 1960. E os saltos baixos e grossos do período “grunge” dos anos 1990 deram lugar aos saltos de agulha, inspirados na série “Sex and the City” após o rebentar da bolha “dot.com” nas bolsas norte-americanas, na passagem do século. Mas, num desvio potencial desta tendência de longo prazo, uma análise dos média sociais ao longo dos últimos quatro anos mostrou que as discussões sobre o aumento da altura dos saltos atingiu um pico no final de 2009, mas têm vindo a diminuir desde então. Por exemplo, entre 2008 e 2009 os “bloggers” de calçado escreviam regularmente sobre saltos de 5 a 8 polegadas, mas em meados de 2011 estavam a anunciar o regresso do tacão encurvado e do perfeitamente plano da Jimmy Choo ou Christian Louboutin. Claro que isto não quer dizer que os saltos altos desapareceram por completo – como confirmaria uma visita a qualquer sapataria. No entanto, à medida que a crise económica persiste, estes são associados a uma utilização para ocasiões especiais, em vez de no escritório ou nas compras. O estudo foi realizado utilizando um software de análise especial para pesquisar milhares de milhões de mensagens de média social de forma a identificar indivíduos que discutem sobre o calçado. O software restringiu a listagem às fontes que exerciam uma maior influência on-line no calçado, analisando posteriormente os conteúdos dos sites e focalizando as discussões sobre a altura do salto. Então, o que significa tudo isto no mundo real? Para além de um título capaz de cativar o interesse dos leitores, a IBM defende que a análise das conversas nos media social em tempo real aponta para uma mudança de tendência. E esses dados poderiam, por sua vez, ser um instrumento fundamental para fabricantes e retalhistas que procuram ideias sobre o tipo de produtos a desenvolver e vender na próxima estação. É certamente um tema a reter. As empresas estão a utilizar cada vez mais os media sociais e a Internet para envolverem-se com os clientes. Uma pesquisa realizada pela norte-americana National Retail Federation (NRF) revelou que, nesta época natalícia, os retalhistas estão mais do que nunca preparados para utilizarem os media sociais no contacto com os clientes, especialmente quando se trata de destacar descontos e promoções. Mas quantos incluem efectivamente informações de “blogs” e outras formas de média social nas suas decisões estratégicas?