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Solinhas diversifica negócio

A empresa produtora de linhas, que até agora dividia a sua atenção entre o vestuário e os têxteis-lar, está a alargar a sua oferta ao calçado, numa altura em que está ainda a reforçar a sustentabilidade dos seus processos e dos seus produtos e a acrescentar a representação da alemã Gunold às suas valências.

Lurdes Fernandes

Linhas de poliéster reciclado e uma oferta alargada para o calçado fazem parte das novidades da empresa portuguesa Solinhas, que na segunda vez na Première Vision Paris fez questão de se apresentar em força. «Vimos que a nível da pele, do calçado e da marroquinaria havia muita procura e, por isso, investimos nisso», explica a administradora Lurdes Fernandes ao Portugal Têxtil. Além da maior variedade de artigos, a Solinhas investiu 40 mil euros para «adaptar o laboratório. Compramos equipamentos para estarmos mais bem preparados, mais capazes de dar resposta aos nossos clientes, porque é um artigo muito específico e muito sensível, que requer um nível de qualidade elevado», aponta.

Já na coleção para a área do vestuário, a grande novidade foi o poliéster reciclado. «É uma tendência associada a uma mudança de comportamento, a uma procura por produto que faça a diferença em termos ecológicos», justifica. «Acho que em breve podemos deixar de consumir poliéster virgem para passarmos a usar poliéster reciclado», indica, acrescentando que a linha em poliéster reciclado «não é exatamente igual [ao poliéster virgem] mas está muito próximo».

A sustentabilidade não é, contudo, uma novidade no horizonte estratégico da Solinhas. Além da preocupação com a eficiência energética e com a redução da utilização de água e químicos no processo de tingimento, a empresa instaurou uma prática de recolha de cones de linha usados junto dos clientes para serem reutilizados em novas produções. «Por um lado, só usamos cones de material reciclado. Por outro lado, valorizamos muito quando os nossos clientes nos permitem trazer os cones usados para voltarmos a reutilizar. É menos um resíduo que o cliente cria e estamos a trabalhar na economia circular, porque o cone não fica danificado e a etiqueta, ou tiramos ou colamos uma nova por cima, e o cone fica novamente pronto para ir para o mercado sem gastarmos nem energia nem água», resume Lurdes Fernandes.

Europa ganha terreno

A empresa tem uma quota de exportação que ronda os 60%, onde se destacam, como principais mercados, Tunísia (onde tem uma subsidiária), Marrocos, França, Alemanha e Espanha. A aposta em feiras internacionais, primeiro a Heimtextil e, mais recentemente, a Première Vision Paris, tem, contudo, permitido à Solinhas crescer no mercado europeu. «A Europa tem hoje um peso que aumentou face à Tunísia e Marrocos», revela a administradora da Solinhas. O motivo, acredita, «é o serviço rápido que conseguimos, o termos preços mais competitivos que o resto da Europa e a capacidade de resposta ao nível do stock».

Os objetivos da empresa passam por «consolidar» estes mercados e crescer através da linha do calçado e também com a representação, para Portugal, de outros players do sector. Recentemente, a Solinhas estabeleceu uma parceria com a alemã Gunold, dedicada à área dos bordados, sob a qual irá oferecer linhas de poliéster e viscose, glitters, entretelas e agulhas, entre outros produtos. «É uma marca muito conhecida mas não estava trabalhada em Portugal», refere a administradora. «Estamos a fazer um grande investimento em termos de stock», acrescenta, sublinhando que o objetivo é responder rapidamente aos clientes.

A Solinhas vai ainda representar as agulhas da Organ. «Já estamos a distribuir algumas amostras mas ainda estamos a pensar na estratégia», assume Lurdes Fernandes.

Recuperação em 2020

Com o ano de 2019 a trazer algum decréscimo do negócio, a Solinhas espera agora que as novas áreas contribuam para o seu crescimento no futuro. «Gostávamos que o calçado, ao nível da faturação, viesse a representar pelo menos 30%», desvenda a administradora, apontando para 10% nas representações e o restante dividido entre o vestuário e os têxteis-lar.

Os primeiros meses de 2020 trouxeram algum otimismo há empresa. «Tivemos um janeiro melhor do que o de 2019. Gostávamos de recuperar os 10% [que perdemos no ano passado] e com o calçado estou convencida de que até poderá ser melhor. Vamos trabalhar para isso», resume.

A ideia será também aproveitar as oportunidades que se perfilam no mercado internacional. «Toda esta instabilidade na Europa e esta situação agora também da China, acho que pode ser interessante para Portugal, no sentido de os clientes e compradores voltarem a olhar para nós, a olhar para Portugal e retomarem as compras em Portugal», acredita. «Os empresários portugueses têm uma capacidade fantástica de se reinventarem e de dar a volta a qualquer situação menos agradável que possa surgir. Tal como nós, Solinhas, procuramos outros caminhos, outras empresas estão também à procura de novos clientes, novos clientes, com menos peças mas com mais qualidade e maior valor acrescentado. Tem de ser esse o nosso caminho», conclui Lurdes Fernandes.