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Solinhas em busca da consolidação

A produtora de linhas assumiu novos desafios no último ano e é com eles que pretende consolidar a sua posição no mercado. Um objetivo de continuidade e sustentabilidade que ganha maior força face ao travão imposto pela pandemia.

Lurdes Fernandes

2019 «não foi o melhor ano de sempre» da Solinhas, mas foi um ano de lançamento de novos desafios para a especialista em linhas de costura e bordados. «Surgiram novas oportunidades de negócio», afirma Lurdes Fernandes, que cita a gama de produtos dedicados ao calçado e a representação em Portugal das linhas Gunold e das agulhas Organ. «Entrámos em várias coisas ao mesmo. Nos próximos dois anos, queremos consolidar, arranjar novos clientes, tornar-nos conhecidos nessas áreas e manter aquilo que já temos e que já fizemos bem», explica a administradora da empresa.

Esse é, por isso, um dos objetivos de 2020, depois da pandemia ter trocado as voltas a tudo e a todos. «Em março, abril e um bocadinho de maio estivemos muito parados, tanto que estivemos em lay-off parcial», admite Lurdes Fernandes. Nos últimos meses, contudo, tem havido «uma luz ao fundo do túnel» e em julho, agosto e setembro «estamos a ter uma retoma», reconhece. «Até em Portugal, apesar de algumas dificuldades, as coisas estão a crescer novamente. Ainda não atingimos os valores que tínhamos, mas também é um processo», revela ao Portugal Têxtil.

O mesmo acontece noutros mercados. «Uns foram mais fortes logo de início, outros menos», acrescenta a administradora. No Norte de África, onde a Solinhas tem, desde 2006, uma subsidiária comercial na Tunísia, «o mercado esteve bastante parado nos meses mais fortes da pandemia, mas agora estamos já a trabalhar e até apareceram novos clientes de áreas que não trabalhávamos», refere.

Sustentabilidade em curso

A oferta da Solinhas é, cada vez mais diversificada, quer pelas propostas adicionais da Gunold, quer pela sua própria produção. Linhas de fantasia, linhas solúveis em água e pelo calor e versões mais amigas do ambiente integram o leque de opções, onde a sustentabilidade está a ganhar força. «Sem dúvida» que os artigos mais amigos do ambiente têm registado uma maior procura, garante Lurdes Fernandes, que aponta que «o poliéster reciclado é o artigo pelo qual mais têm perguntado e é uma das nossas apostas». Aliás, antecipa a administradora, «não sei se vai, de um momento para o outro, superar os nossos outros artigos, mas nota-se que o mercado, e o mundo, está nesse caminho. As pessoas estão preocupadas com o ambiente, com o sustentável, com o upcycling».

Uma área onde a empresa, que emprega 27 pessoas, tem vindo a investir, nomeadamente com soluções criativas, como é o caso da recolha de cones de linha usados junto dos clientes para serem reutilizados em novas produções. Além disso, «embora não tenhamos diretamente tinturaria, temos essa preocupação com os nossos fornecedores e notamos que os processos estão todos a evoluir no sentido da sustentabilidade – tingimento com menos consumo de água, menos consumo de energia», exemplifica Lurdes Fernandes.

Em estudo está ainda o projeto de eficiência energética. «Estamos até muito entusiasmados para pôr painéis solares na empresa, mas agora travámos. Está nos nossos objetivos, mas já não será, com certeza, este ano», assume.

Quanto resto do ano, os prognósticos para a Solinhas, que em 2019 registou um volume de negócios à volta dos 3,5 milhões de euros, são limitados face à incerteza que está a pautar o mercado. «Já nem temos expectativas, é o dia a dia – hoje está bom, amanhã logo se vê», confessa Lurdes Fernandes. O próprio modelo de negócio da empresa funciona desta forma. «Trabalhamos sempre para ontem – os nossos clientes exigem-nos isso e dentro de portas habituámo-nos a ser muito rápidos no serviço», esclarece. No entanto, a manterem-se as condições, «acho que vamos fechar o ano de uma forma interessante face a tudo o que já vivemos», acredita a administradora.