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Solvay produz poliamida sustentável no Brasil

Através da sua empresa Rhodia, o grupo Solvay lançou aquela que alega ser a primeira poliamida têxtil parcialmente fabricada a partir de uma fonte renovável na América Latina. A Bio Amni é obtida a partir de monómeros de base biológica e produzida no Brasil com processos mais amigos do ambiente.

[©Solvay]

A nova poliamida 5.6 é fabricada na unidade industrial da empresa em Santo André, no Brasil, o seu desenvolvimento demorou dois anos e exigiu um investimento na ordem dos 20 milhões de reais (cerca de 3,27 milhões de euros).

Pensada para aplicações em sportswear, beachwear, roupa interior, vestuário casual, calçado e acessórios, a nova poliamida oferece, além das credenciais sustentáveis – que incluem a produção a partir de monómeros de base biológica, poupança de até 40% de consumo de energia graças a um tingimento a baixa temperatura (30 ºC) e um aumento de cerca de 30% na produtividade, por ter um ciclo de tingimento mais baixo –, elevado conforto, toque macio, respirabilidade, absorção da transpiração e uma secagem 1,5 vezes mais rápida, por exemplo.

Para o grupo Solvay, a sustentabilidade é um dos principais motores do mercado têxtil mundial, exigindo soluções e produtos que agreguem toda a cadeia de consumo e, ao mesmo tempo, reduzam o impacto no meio ambiente.

«O sector têxtil tem três principais desafios em relação ao meio ambiente e à sustentabilidade: os recursos, o processo produtivo e o descarte. A Rhodia conta já com alternativas sustentáveis no processo produtivo, com o uso de fontes de energia mais limpas, circuitos fechados e zero emissão de efluentes para o meio ambiente na sua unidade industrial de Santo André», afirma Antônio Leite, vice-presidente global de fenol e derivados, solventes oxigenados, poliamida e fibras do grupo Solvay.

Para o fim de vida de peças no chamado pós-consumo, a Rhodia oferece já, há alguns anos, fibras e fios sustentáveis e biodegradáveis. Com o lançamento de Bio Amni, a empresa passa a dispor de uma alternativa em relação à origem do recurso para produção de fibras e fios de poliamida. As fibras têxteis sustentáveis e biodegradáveis representam já 30% do portefólio da Rhodia e a expectativa é atingir 50% num horizonte de três anos.

Sustentabilidade nos processos

Neste caminho para a sustentabilidade, a Rhodia, que foi adquirida pela Solvay em 2011, já consegue compensar em 96% as emissões de CO2 na unidade de Paulínia, onde são produzidas as matérias-primas usadas na produção de fibras e fios, graças a uma série de iniciativas e à instalação de uma unidade de abatimento de gás de efeito estufa, que elimina anualmente da atmosfera um total de 5,3 milhões de toneladas de CO2 equivalente, que corresponde à retirada de circulação anual de 1,3 milhões de veículos. A meta da empresa é alcançar 100% de neutralização de CO2 até 2025.

[©Solvay]
Em Santo André, onde é fabricada a Bio Amni, não há desperdício de água nem emissão de efluentes para fora da fábrica, segundo a empresa. «Os efluentes são tratados e recuperados em unidades especiais para essa operação. A empresa só compra água potável da rede pública para atender às necessidades dos seus empregados e colaboradores e para as atividades do refeitório da unidade», revela a Rhodia em comunicado.

A unidade industrial instalou ainda uma unidade de reciclagem química dos chamados restos de produção de polímeros têxteis, que são recuperados e voltam para as linhas de produção. Exemplo disso é o Amni Soul Cycle, o primeiro fio têxtil de poliamida funcional reciclada, que a empresa lançou no final de 2019. Outra iniciativa relacionada com a economia circular foi a decisão de retirar os logótipos das embalagens das bobinas e dos cones de fio enviados aos clientes, permitindo, dessa forma, a sua reutilização.

Além da Bio Amni, a Rhodia também desenvolveu, há alguns anos, o Amni Soul Eco, o primeiro fio têxtil de poliamida biodegradável do mundo, que acelera a decomposição de artigos têxteis para cerca de três anos após o descarte em aterros sanitários controlados.

Já em resposta à pandemia, lançou a Amni Virus-Bac OFF, uma poliamida funcional que inibe a contaminação entre peças têxteis e o utilizador, evitando assim que o tecido seja um veículo de transmissão de vírus, incluindo coronavírus, e bactérias.