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Somelos integra tecidos com proteção UV na coleção

O desenvolvimento, realizado em parceria com a Universidade do Minho, permite ter tecidos finos e leves, feitos em fibras naturais celulósicas e com proteção aos raios ultravioletas. Além de um fator de proteção UPF 50+, os tecidos da Somelos têm características de conforto e uma multiplicidade de cores e padrões.

Arnaldo Machado

O projeto de investigação «será agora desenvolvido em cartazes pelo sector de criação e desenvolvimento na coleção do próximo ano», anunciou Arnaldo Machado na apresentação dos resultados do projeto mobilizador Texboost, no âmbito do qual foi desenvolvido. O administrador da empresa garantiu que «a Somelos Tecidos dispõe de uma base de dados de referência que lhe permitirá produzir novos tecidos, finos, com grau de proteção com UPF 50+ a partir de fibras naturais biodegradáveis», o que, salientou, «é uma mais-valia para a empresa».

Para chegar a este resultado, a Somelos Tecidos e a Universidade do Minho tiveram de ultrapassar três desafios, apontou Ana Maria Rocha, diretora-adjunta do 2C2T (Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil) da Universidade do Minho. O primeiro teve a ver com a composição dos tecidos, «dado o conhecimento existente de que as fibras naturais celulósicas apresentam, normalmente, baixa proteção UV». O segundo teve a ver com a porosidade, ou fator de cobertura e, por último, a cor e o corante, «sabendo, à partida, que cores mais claras normalmente não apresentam proteção UV suficiente».

Depois de desenvolvidos diferentes tecidos em variantes diferentes, incluindo em 100% algodão e em misturas de algodão com outras fibras biodegradáveis, nomeadamente viscose de bambu e modal, e efetuado o tingimento em nove cores (cinco médias e quatro claras), a equipa de investigação chegou à conclusão que o debuxo é um dos fatores mais significativos para atingir a proteção UV. «É visível que a dimensão do alinhavo irá influenciar significativamente o índice de proteção UV, sendo que a sarja, por exemplo, com um alinhavo superior, apresenta um índice de proteção UV significativamente superior ao de um tafetá», exemplificou Ana Maria Rocha.

A composição acabou por revelar «falta de significância no que diz respeito à sua influência no UPF», enquanto a cor se mostrou como «o que demonstra maior influência na proteção UPF, com enorme interação entre a composição do material. Ou seja, não é irrelevante termos algodão ou algodão/modal», apontou a diretora-adjunta do 2C2T.

Proteção e conforto

Para atingir um UPF 50+, foi realizado um estudo para determinar valores de referência e foram testados diferentes corantes em diferentes concentrações e tricomias. «Verificou-se que todos os corantes estudados a partir de 0,5% de concentração promoviam proteção excelente, assim como as tricromias se comportavam melhor do que os corantes individuais», revelou Ana Maria Rocha.

Ana Maria Rocha [©Citeve]
Para o segundo objetivo do projeto, foram caracterizadas «as propriedades associadas ao conforto termofisiológico», explicou a diretora-adjunta do 2C2T, tendo sido analisadas a permeabilidade ao ar e a dispersão vertical, para avaliar a gestão de humidade da estrutura.

Tudo isso permitiu produzir «tecidos multifuncionais à base de fibras naturais e biodegradáveis com excelente proteção UV e que, simultaneamente, conferem conforto termofisiológico ao utilizador, sem adição de qualquer acabamento», sublinhou Ana Maria Rocha.

«Os objetivos que tínhamos programado foram atingidos, visto que em 249 amostras fabricadas, 187 estavam dentro dos objetivos, o que corresponde a 75,4% de taxa de sucesso. Ou seja, tivemos uma taxa de sucesso extraordinária», resumiu Arnaldo Machado.