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Somelos na vanguarda da moda

As coleções diferenciadas, que para o outono-inverno 2019/2020 incluem viscose de rosa, e o know-how acumulado desde o fio têm permitido à Somelos destacar-se tanto em feiras internacionais à escala da Première Vision Paris, como junto dos seus mais de 2.200 clientes por todo o mundo.

O tecido com viscose de caule de rosa, e com possível cheiro da mesma através de microcápsulas, é apenas um dos artigos que, segundo o administrador Paulo Melo, destacam a coleção da Somelos Tecidos face à concorrência. «Não há dúvida que a Somelos tem das melhores coleções a nível mundial há muitos anos. A Somelos Tecidos investe muito neste tipo de produto e de ação – são coleções muito fortes, sempre muito bem estruturadas, cada vez mais orientadas», explica ao Jornal Têxtil.

Com foco na camisaria para homem, senhora e criança, a coleção para o outono-inverno 2019/2020 apresenta uma oferta alargada de matérias-primas, para além do 100% algodão, assim como de cores, desenhos e acabamentos. «Depois temos uma imagem muito forte no mercado, uma confiança brutal dos clientes nos quatro continentes. E, por isso, queremos estar bem consolidados ou posicionar-nos em algo ainda melhor», afirma Paulo Melo.

A inovação desde o fio

Para se manter na vanguarda e concorrer lado a lado com os italianos, «que são uma referência neste segmento de mercado», a empresa tem vindo a inovar e a investir, ao mesmo tempo que joga um dos seus trunfos: o controlo do processo produtivo dentro de portas, incluindo a fiação. «O fio é a origem de todo o processo têxtil e, por isso, temos uma responsabilidade muito grande na evolução em todo o segmento, de forma a que as soluções sejam cada vez mais atrativas», reconhece o administrador do grupo Somelos.

Com 1.080 trabalhadores, o grupo Somelos, que em 2017 faturou cerca de 55 milhões de euros (+8% do que no ano anterior), tem feito investimentos em todas as áreas. «A nível de tecelagem estamos a investir em alguns teares novos. Esperamos continuar em 2019 e 2020 com esta renovação do parque industrial. E também estamos a investir na área de acabamentos – continuamos a investir este ano dentro das nossas possibilidades», revela Paulo Melo.

O plano de investimentos, que está em curso desde 2017 e se prolonga até 2019, ronda os 1,5 milhões de euros. «Só investimos especificamente onde precisamos, não é em toda a linha. Somos muito cuidadosos e cautelosos nos investimentos. Vamos investir nos próximos anos em renovar algum parque de máquinas. Vai ser um misto de renovação e de aumento de produção», esclarece o administrador.

Correr mundo

Com os EUA e Itália a representarem os principais mercados de exportação de tecidos, onde conta com clientes como a Etro, a J. Crew e a Paul Smith, para referir alguns, a Première Vision Fabrics é um dos pontos de paragem obrigatórios para a empresa, apesar do timing estar, segundo Paulo Melo, desenquadrado com o negócio. «Esta feira, nesta estação e na altura em que está a acontecer, é tarde para a Somelos. É uma feira que está fora do tempo, porque esta coleção começa a ser vendida em meados de julho em Itália. E por isso, para quem trabalha desta forma e neste segmento, é uma feira que já está fora do tempo, os produtos já estão escolhidos», considera.

Ainda assim, sublinha, «é importante cá estar. É a feira mais internacional do sector têxtil a nível mundial, é preciso ser visto, mostrar cá os produtos, apostar numa boa imagem, há sempre contactos interessantes. Temos de capitalizar mais a imagem e só com a presença e com investimentos desta ordem é que podemos fazer isso. Temos de aproveitar tudo o que esta feira é», aponta.

Apesar da instabilidade que tem afetado o mercado, fruto das políticas comerciais, das taxas de câmbio e até do comportamento do consumidor, afetado pelas alterações climatéricas que interferem nas compras de moda, Paulo Melo acredita no crescimento. «O grupo Somelos quer sempre crescer mais. Todos os anos tem essa ambição, porque investe muito em novos produtos e diferenciação», assegura o administrador. Com mais de 2.200 clientes um pouco por todo o mundo nas várias áreas de negócio do grupo, incluindo fios e tecidos, o objetivo é melhorar a notoriedade da empresa e da sua oferta. «Temos que saber vender melhor os nossos artigos e, por isso mesmo, saber promovê-los o melhor possível, ter uma imagem mais forte dos nossos produtos, e com isso acho que chegamos cada vez mais longe. Para além de sermos uma referência neste segmento de mercado, podemos ainda subir a parada. E quando tivermos esse trabalho bem feito, podemos consolidar, mas ainda falta muito. Por isso, a nossa ambição é crescer consistentemente o valor do volume de negócios», conclui Paulo Melo.