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Somelos Tecidos conquista EUA

O aumento acentuado das vendas nos EUA, alimentado pela forte presença no mercado e um câmbio favorável, permitiu à Somelos Tecidos somar mais um ano positivo em 2016.

O volume de negócios da produtora de tecidos subiu cerca de 3%, para 33,5 milhões de euros, um crescimento que Mário Domingues, presidente da Somelos Tecidos, atribui aos EUA, uma vez que «no mercado tradicional da Europa tivemos algum retrocesso das vendas. Foi uma contração na Europa em geral, que foi compensada com o crescimento nos EUA», explicou ao Jornal Têxtil, num artigo publicado na edição de maio.

Há «várias coisas» que estão a alavancar o negócio da Somelos Tecidos nos EUA, garantiu Mário Domingues. «Uma primeira é que o dólar está muito favorável para fazer negócios nos EUA. E uma segunda é a proximidade que esta empresa teve nos EUA e a equipa que se dedica a este mercado consegue junto dos clientes – estamos a fazer o mercado dos EUA de uma ponta à outra, incluindo o interior dos EUA, que é um mercado enorme. Ou seja, apesar do crescimento que temos tido, ainda temos um potencial de crescimento assinalável, pelo que estamos muito confiantes», afirmou o presidente da Somelos Tecidos, que não escondeu, contudo, alguma apreensão com o futuro. «No entanto, também temos a segurança da nossa presença e da diversidade de produtos que introduzimos no mercado. Isso deixa-nos num patamar assim mais defendido. É uma apreensão meramente moderada», admitiu, destacando o trunfo da diferenciação de produto da Somelos Tecidos. «Este tipo de tecidos que fazemos, tintos em fio para camisaria, não se produz nos EUA. Portanto, apesar da apreensão moderada, há bastante otimismo», sublinhou.

A empresa, que emprega 550 pessoas, está, de resto, constantemente a atualizar a sua oferta. Aos tradicionais algodões, que se tornaram uma referência central nos 6 milhões de metros de tecido que produz anualmente, a Somelos Tecidos propõe, para a coleção do verão de 2018, o linho e, pela primeira vez, o 100% liocel. «É a grande novidade em termos de produto», realçou Mário Domingues, apontando a Europa, e em especial a Europa do Norte, como o principal mercado-alvo desta inovação.

Apesar do Velho Continente ser «um mercado natural para nós», referiu o presidente, a produtora de tecidos mantém a vontade de diversificar os destinos do seu portefólio. A aposta mais recente é o Extremo Oriente, «não propriamente na China, mas no Japão, e iremos fazer a seguir na Coreia do Sul e na Austrália», revelou Mário Domingues. Tudo isso sem descurar o mercado interno, onde as vendas aumentaram cerca de 10% no ano passado. «Como a confeção em Portugal é sobretudo para exportar, isso significa que há muitos clientes fora de Portugal que confecionam em Portugal», explicou o presidente da Somelos Tecidos, que reconheceu, contudo, que «já não haverá muito mais margem de crescimento porque o mercado está um bocado tomado».

As expectativas para o corrente ano são essencialmente de crescimento, com Mário Domingues a antever um aumento de 10% do volume de negócios para a Somelos Tecidos, sustentado no potencial de desenvolvimento nos mercados fora da Europa «mas sobretudo recuperar algumas das posições que temos no mercado europeu, porque o mercado europeu continua a ser determinante», adiantou ao Jornal Têxtil.