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Somelos Tecidos sob o signo da inovação

Conhecida e reconhecida pela qualidade dos seus tecidos, a Somelos Tecidos é também pioneira na criação de novos artigos, como o tecido bi-elástico que desenvolveu com o 2C2T e que está a ganhar tração no mercado.

«Não paramos no tempo e essa é a razão pela qual hoje somos considerados dos melhores do mundo», afirma, ao Jornal Têxtil, Mário Domingues, presidente da Somelos Tecidos. «Na nossa atividade, se não estivermos a inovar, morremos. A inovação está nos nossos genes. É inovação permanente, quer a nível de processos, quer de produtos, quer de métodos de trabalho, quer na procura de novas matérias-primas», aponta, sublinhando, contudo, que «a inovação que fazemos não é no sentido teórico – é uma inovação que tem que ter um aspeto prático».

Com ligações à Universidade do Minho que remontam há muitas décadas – Arnaldo Machado, administrador da Somelos Tecidos, fez o curso de Engenharia Têxtil (entrou em 1976) e há vários quadros da empresa formados pela instituição –, o envolvimento na área da inovação começou, mais formalmente, com o projeto mobilizador PTXXI – Power Textiles 21, que incluiu sete PPS técnicos e um de gestão e envolveu 10 entidades do sistema científico nacional e 19 empresas. Um desses PPS (produtos, processos ou serviços) técnicos, batizado “High-tech Fashion – Novos fios e tecidos finos bi-elásticos para moda”, juntou a Somelos Tecidos e o Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil (2C2T) da Universidade do Minho e teve como objetivo desenvolver tecidos finos bi-elásticos para vestuário, integrando fios híbridos elásticos (título superior a 50 Ne) produzidos pelo método de fiação core-spun.

«Quando nos envolvemos no PTXXI, olhámos para o aspeto prático que este desafio poderia ter. Ou seja, escolhemos um tema e um produto de acordo com aquilo que achávamos que era o impacto que poderia ter no mercado», explica Mário Domingues.

«Tivemos que realizar todo um trabalho de preparação de como é que se fabricava o tecido bi-elástico e preparar as pessoas nesse sentido. Fizemos um conjunto de desenhos de tecidos e, perante um problema de ordem técnica, com a nossa prática e a teoria da universidade, conseguimos lançar um produto que até aí não existia de tecidos bi-elásticos», revela Arnaldo Machado. No projeto estiveram ainda envolvidas outras empresas do grupo Somelos, nomeadamente a fiação e a tinturaria. «Para chegar ao tecido tivemos que analisar, profundamente, os métodos que utilizávamos, por exemplo, no tingimento de fios, e são indicações preciosas que ainda hoje usamos, não só para fazer este tecido bi-elástico como também para fazer outros tecidos», destaca Mário Domingues.

Exemplo da colaboração entre empresa e universidade foi a resolução do problema relacionado com a tinturaria. «Quando fazíamos o tingimento dos fios elásticos, tínhamos uma diferença muito grande de cor no início e no fim da bobine e tínhamos um desperdício muito grande. Quando resolvemos fazer este trabalho em parceria com a Universidade do Minho, nomeadamente com a Ana Maria Rocha e o Pedro Souto, conseguimos reduzir o grau de desperdício e conseguimos melhorar a diferença de tonalidade do início ao fim do fio», refere Arnaldo Machado.

Do projeto, que decorreu de 2011 a 2014, resultou a introdução do produto nas coleções da Somelos Tecidos. «Ainda estamos numa fase inicial [de divulgação], até porque não é um produto com um grande mercado, mas conseguimos os objetivos», reconhece Mário Domingues. «Em conversas que tivemos e abordagens que fizemos a clientes potenciais, percebemos que o produto que tínhamos criado pode ser aplicado a roupa íntima. Ainda estamos numa fase muito embrionária, mas detetamos à posteriori um interesse no mercado que não tínhamos detetado quando lançámos o projeto», adianta Mário Domingues.

Depois do sucesso deste projeto, a produtora de tecidos e o 2C2T estão envolvidos numa nova investida inovadora, inserida no projeto mobilizador TexBoost. «O objetivo é fazer um tecido multifuncional, com um grau de proteção ultravioleta, que seque rápido, feito com fibras naturais, como algodão, e com características ecológicas e de tratamento fácil», anuncia Arnaldo Machado.

O resultado do projeto, que está neste momento numa fase teórica de seleção de matérias-primas e só terminará em 2020, poderá ser aplicado a camisaria mas também fatos de banho, estando assim aberto um vasto leque de possibilidades.

«Nós fazemos projetos que, no final, tenham impacto no mercado da nossa atividade. Ou seja, aquilo que é difícil de fazer, que é inovador, que ainda ninguém fez ou se já fez, fez de maneira diferente, e aquilo que achamos que poderá ter impacto nas nossas vendas – é assim que nos envolvemos no projeto. Depois temos, no outro lado, o 2C2T, que tem uma componente de estilo mais teórico, mais profundo e que para nós é fundamental, porque vai sistematizar o nosso trabalho e vai juntar coisas que são conhecimentos de outros – é uma ligação perfeita», resume o presidente da Somelos Tecidos.