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Sonicarla joga na antecipação

Antevendo uma procura nos mercados e clientes que serve, a empresa portuguesa especialista na produção de vestuário seamless Sonicarla tem apostado no desenvolvimento de novos produtos para estar à frente da concorrência, numa amálgama de performance e moda que navega na tendência do athleisure.

«Estamos a trabalhar no conceito athleisure», confirmou Pedro Silva, administrador da Sonicarla Europa, na edição de março do Jornal Têxtil. É neste capítulo que a produtora de malhas, com um efetivo de 142 pessoas, tem desenvolvido novos produtos, que combinam materiais diferentes e uma maior atenção à moda, incluindo no seu mix de artigos, por exemplo, propostas em seamless reversível, com peças que podem ser usadas dos dois lados, deixando para trás a ideia tradicional de “avesso”.

De igual forma, a Sonicarla Europa lançou o Athleisure Ecologic, desenvolvido com estruturas técnicas pensadas para o inverno, em combinação com as propriedades antibacterianas, biodegradáveis, respiráveis, termorreguladoras e a leveza da fibra de bambu.

A diversificação para este segmento do athleisure permite «chegar a vários tipos de clientes», explicou a diretora comercial, Sabrina Carvalho, sem, todavia, deixar de lado os produtos para o desporto “puro e duro”. Prova disso é o novo artigo de compressão, desenvolvido especificamente para a prática de desportos exigentes, «com diferentes estruturas funcionais, todas elas incorporadas no mesmo produto», referiu o administrador. O artigo – que combina poliamida técnica, polipropileno e elastano e que foi selecionado para o prémio InovaTêxtil 2016, no âmbito da participação no Showcase de Produtos Inovadores no ITechStyle Innovation Business Forum, organizado pelo Citeve na passada edição de fevereiro do Modtissimo – permite reduzir as vibrações musculares, diminuir a carga sobre o sistema cardiovascular e melhorar o fluxo de oxigénio e nutrientes, promovendo a redução da fadiga e uma melhor performance do atleta.

No entanto, considera Pedro Silva, «o conceito de inovação não deve ficar circunscrito
ao produto, isso é muito limitativo. Uma empresa tem que inovar em várias áreas: no produto, obviamente, mas também nos processos, nas relações com os parceiros, quer seja a montante – fornecedores –, quer seja a jusante – os clientes». Por isso, a Sonicarla Europa tem procurado avançar por esse caminho. «A palavra de ordem neste momento, e para o futuro, é diferenciação. Temos de nos distinguir pela inovação», afirmou o administrador. Uma política que, reconheceu, «tem trazido um aumento de vendas, inclusivamente porque estamos a melhorar significativamente o nosso negócio, nomeadamente em termos de serviço».

O ano passado foi o quarto ano consecutivo de crescimento da empresa, apesar da diminuição do número de peças vendidas. «A cada ano estamos a trabalhar com peças mais complexas, mais técnicas», justificou, acrescentando que «em termos de valor temos vindo a crescer». Em 2015, o volume de negócios ultrapassou os 5,8 milhões de euros registados em 2014. «O crescimento foi menor – é difícil continuar a crescer ao ritmo que estávamos a crescer pelo quarto ano consecutivo. Mas continuamos a crescer», referiu.

O ano de 2016 não deverá ser diferente, nomeadamente nos EUA, um dos principais mercados da Sonicarla Europa. «Além dos clientes norte-americanos, que estão a aumentar, também vamos crescer com pelo menos dois clientes europeus que se vão estabelecer nos EUA», revelou Pedro Silva. A filial noutro continente ficará, contudo, na prateleira durante mais algum tempo. «Continua nos nossos projetos mas, neste momento, precisamos de mais alguma estabilidade, inclusive socialmente, para poder avançar nesse sentido», explicou o administrador ao Jornal Têxtil.