Início Arquivo

Sou um defensor da Zara»

Lorenzo Caprile estudou design de moda em Florença e Nova Iorque e durante largos anos trabalhou em Itália, até que em Espanha lhe deram mérito e crédito para criar. Com um vasto curriculum, o designer de moda já desenhou vestidos para as mulheres mais conhecidas do país vizinho, das quais se destacam a princesa Letizia e as infantas Helena e Cristina. Mas o seu trabalho não se resume somente a vestir celebridades da vida mundana. Recentemente estreou-se no cinema e no teatro, tendo sido inclusive o responsável pelo guarda-roupa criado em exclusivo para a comédia “La Dama Boba”, de Manuel Iborra. Uma experiência única, que segundo Caprile serviu de lição para criar mais e melhor. «É muito estimulante vestir o cidadão médio, actores e outras pessoas e este ano foi um curso escolar completo, com a minha experiência em cinema, ao criar o guarda roupa de “La Dama Boba” e ao criar para teatro. E valorizou-me muito o facto de ter de fazer roupa para homem, algo que nunca tinha feito antes», afirma. Caprile não descura, porém, a criatividade em nada do que faz, sendo que cada peça é pensada ao pormenor e executada com todo o cuidado, seja ela para quem for. «Na minha profissão somos muito democráticos, vestimos desde de senhoras muito elegantes e jovens, a pessoas de 70 anos. Todas têm o mesmo direito de sentirem-se bonitas e espectaculares», sustenta. Apesar de ser um dos designers mais conceituados de Espanha, as maiores passarelas do país nunca tiveram o privilegio de passar as suas roupas. Mas, o estilista não se preocupa muito com esse facto e valoriza sobretudo os seus espaços próprios. «O facto de não desfilar as minhas roupas em Madrid ou Barcelona não me interessa, nem vou fazer juízos de valor sobre isso. Para mim, trata-se de uma a Guerra das Estrelas e esse não é o meu Mundo. O que considero importante é a passarela que tenho agora em Almagro», declara.

Moda ao mais alto nível

Apesar de todas as críticas que a moda espanhola tem registado nos últimos tempos, Caprile afirma que «a moda espanhola goza de boa saúde»,citando a título de exemplo os “case studies” Mango, Pronovias, Zara, Adolfo Domínguez e Roberto Verino, algumas das marcas mais vendidas em Espanha e em muitos países no Mundo, incluindo Portugal. Odesignerespanhol considera mesmo inacreditável que mediante tantos exemplos de qualidade, no qual destaca sobretudo a Zara, as pessoas ainda critiquem o que se faz nesse sector, em Espanha. «O senhor Ortega e a Inditex cada vez vestem melhor as pessoas. Sou um defensor da Zara e quando dizem que a moda espanhola está em crise, penso no exemplo da Zara e não percebo», conclui Caprile.