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Sourcing à lupa em 2013

Os executivos da indústria de vestuário consultados pelo just-style.com sobre as questões mais pertinentes para este ano estão cautelosamente otimistas de que irá haver algumas melhorias no ambiente de negócios em 2013. Mas no que diz respeito ao sourcing, há muitas referências a como enfrentar o “novo normal”, um ambiente onde a oferta excede a procura, as condições se mantêm muito concorrenciais, as margens continuam a ser esmagadas e os padrões de compra do retalho favorecem pequenas quantidades, tempos de entrega mais curtos e a necessidade de uma maior flexibilidade. 1 – Gerir um ambiente inflacionário Os preços do algodão podem ter descido, mas a questão do aumento dos custos da produção na indústria (matérias-primas, salários, inflação, transportes, câmbios) não desapareceu. Com efeito, o custo foi o desafio mais importante citado para este ano – com um produtor líder a preparar-se para subir os preços este ano pela primeira vez numa década. 2 – Construir fortes parcerias estratégicas Com os custos de produção a crescer mas com os preços do retalho a permanecerem estagnados, o desafio é melhorar a eficiência em geral e manter as margens sem afetar a qualidade, o design e a oferta. A cadeia de aprovisionamento terá de trabalhar mais de perto do início ao fim, com colaborações próximas e parcerias estratégicas para melhorar a eficiência, produtividade, qualidade e ambiente de trabalho, afirmam os executivos. Criar parcerias a prazos mais longos pode também ajudar a reduzir os custos gerais. 3 – Destacar-se na multidão Outra forma que os fornecedores podem desenvolver uma vantagem competitiva é diferenciarem-se da concorrência. Custo, rapidez, qualidade, capacidade de gestão e melhores produtos é fundamental, mas outras áreas têm uma importância crescente no que diz respeito a criar relações de longo prazo, incluindo um foco na sustentabilidade, responsabilidade social corporativa, design, gestão de inventário. O melhor produto não é necessariamente o mais barato mas o que ajude os retalhistas a ter a melhor margem, reduzir os níveis de inventário ou melhorar a rotatividade de stocks. 4 – Não colocar todos os ovos no mesmo cesto Uma abordagem mais estratégica e a longo prazo é também exigida no planeamento da produção. Isso pode envolver uma combinação de estratégias de sourcing mundiais e locais, desenhadas para minimizar os tempos de entrega, perseguir as vendas a preço completo, assim como capitalizar os acordos de comércio preferenciais: mudanças para o Sistema Generalizado de Preferências (GSP) da União Europeia. DR_CAFTA e a Parceria Trans-Pacífico foram todos destacados. A oportunidade de mudar de países ou fornecedores para simplesmente obter preços significativamente mais baixos é algo do passado. 5 – Fazer a coisa certa À medida que a pressão aumenta em termos de maior rapidez e custo mais baixo, os retalhistas e marcas precisam de pensar duas vezes em relação a tomar decisões de sourcing baseadas apenas no custo. Os recentes incêndios em fábricas no Bangladesh e no Paquistão podem ter sido vistos como uma chamada de atenção para a indústria de que pedir aos produtores para melhorarem as condições de trabalho ao mesmo tempo que esmagam as margens não faz sentido. A indústria de vestuário irá estar cada vez mais sob pressão para maior transparência, rastreabilidade e responsabilidade em questões ambientais, sociais e de segurança – e os sindicatos e ativistas mostram-se cada vez mais atentos. 6 – Falta de qualificação Criar as cadeias de aprovisionamento do futuro exige qualificações e a falta delas é uma preocupação crescente. Do design ao sourcing, a falta das «pessoas certas» foi lamentada. As empresas deviam estar a investir em novas formações para assegurarem que têm as capacidades que necessitam para serem bem sucedidas nos próximos anos, enquanto as marcas e retalhistas têm de entender a produção e os processos para que as suas expetativas no que pode e não pode ser feito sejam cumpridas. 7 – Oportunidades on-line versus off-line O crescimento do multicanal – na loja, on-line, móvel – é um grande desafio, assim como uma oportunidade para os negócios do vestuário quer querem melhorar as vendas e os lucros em 2013. Uma das principais questões é criar uma experiência de compra “sem costuras” em vários canais, juntando a informação dos consumidores, sistemas de stocks, cumprimento de encomendas e serviços ao cliente. 8 – Não subestimar os dados Os avanços na tecnologia estão a criar grandes quantidades de dados – é preciso usá-los, asseguram os inquiridos. Num dos espectros, os dados dos verdadeiros custos do sourcing de um produto do princípio ao fim podem ser usados para equilibrar os custos por região com qualidade, exigências de entrega e níveis de risco e flexibilidade. Por outro lado, os retalhistas podem usar os dados sobre consumidores individuais para personalizar a experiência de compra, efetuar promoções e preços à medida e aplicar esse conhecimento para impulsionar as vendas. 9 – Valor acrescentado significa vantagem competitiva Embora os consumidores continuem sob pressão, um elemento da “fadiga da fast fashion” significa que muitos estão agora a prestar cada vez mais atenção à qualidade e irão pagar mais pelo produto certo. Acrescentar valor através de um branding forte, design, detalhes, colaboração com designers e inovações de produto inteligentes – e assegurando rapidez, precisão e agilidade na entrega – pode ajudar a quebrar o ciclo dos descontos, assim como justificar preços mais elevados e proteger as marcas. 10 – Ouvir o consumidor e manter o retalho excitante Os consumidores vão continuar no lugar de comando em 2013 e os retalhistas e marcas precisam de se tornar excitantes e atrativos se quiserem melhorar as vendas e os lucros. Os investimentos nas lojas, canais, produtos, experiência e serviço são fundamentais, assim como a sua segmentação clara, tanto em preço mas também tema, lifestyle ou tendência. Contudo, toda a rede de aprovisionamento tem também um papel, devendo trabalhar em conjunto para assegurar que ótimos produtos são entregues aos consumidores finais. A rede de aprovisionamento que consiga isto ao nível mais elevado irá vencer.