Início Notícias Vestuário

Spiber e Goldwin fermentam camisolas

Depois do casaco de proteína, é agora a vez de uma camisola fabricada no mesmo material chegar ao mercado. A The Sweater, que resulta da parceria entre as empresas, usa material obtido a partir da fermentação de proteína e estará disponível em quantidades limitadas, num sistema que inclui Portugal.

[©Goldwin]

A marca de vestuário técnico Goldwin está a lançar a camisola no mercado, que afirma ser a primeira peça de vestuário tricotada a partir de proteína obtida da fermentação microbiana, como parte da colaboração coma empresa japonesa Spiber. Esta é ainda a primeira peça de vestuário neste material a chegar ao mercado americano, depois do lançamento com edição limitada da Moon Parka, no ano passado.

Os materiais Brewed Protein são fibras e filmes de proteína e outro tipo de materiais produzidos com o processo de fermentação desenvolvido pela Spiber. O processo começa com o “desenho” dos genes para fabricar uma proteína específica, como a seda, e depois são inseridos os genes em microrganismos que começam a criar a proteína em tanques de fermentação. A Spiber coloca micróbios, açúcares e minerais em grandes tanques, explica Gen Arai, diretor-geral da Goldwin, à Fast Company. Depois da cultura, os micróbios são separados da proteína, que é seca e transformada numa fibra, que é em seguida fiada, torcida e tingida.

«O maior obstáculo à produção em massa de Brewed Protein é o processamento da matéria-prima», aponta Arai. A Spiber está atualmente a construir uma fábrica maior na Tailândia para tornar possível o escalar da produção.

Alternativa sustentável

A parceria entre a Goldwin e a Spiber começou em 2015, mas a camisola marca o início de uma nova fase na parceria, a que as empresas chamam Vision Quest, um projeto que une parceiros em todo o mundo na busca por um futuro melhor.

[©Goldwin]
No final, as empresas esperam que estes materiais possam substituir matérias-primas à base de combustíveis fósseis, como o poliéster, ao mesmo tempo que se assumem como uma alternativa de baixo impacto para fibras como o algodão, que exige grandes quantidades de água na sua produção, e a lã, que tem o impacto ambiental da criação de ovelhas. Para as fibras sintéticas como o poliéster, pode potencialmente ajudar a evitar o desafio da poluição por microfibras dos oceanos.

Os testes preliminares também sugerem que os materiais Brewed Protein podem ser biodegradáveis. «A Brewed Protein pode um dia substituir todos os materiais dependentes de petroquímicos usados em bens de consumo», acredita Arai. «Sabemos que é possível – é apenas uma questão de conseguirmos a produção a grande escala», garante.

Desenhada para imitar uma tradicional camisola de ski, com um fio torcido que dá um toque confortável e muito macio, a The Sweater é fabricada com 30% Brewed Protein e 70% lã. Produzida no Japão, a peça de vestuário unissexo terá, segundo avança o just-style.com, quantidades limitadas com um sistema de lotaria online para consumidores em diferentes países, incluindo Portugal. Os contemplados serão selecionados a 30 de novembro.