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Springkode liga à indústria

Com pouco menos de um ano online, a plataforma Springkode veio trazer uma nova forma de ver a compra em “lojas de fábrica”. Atualmente com oito empresas no portefólio e, mais recentemente, oferta para homem, a startup está a valorizar a qualidade e o design “made in Portugal”.

Reinaldo Moreira

A empresa foi constituída a 13 de abril de 2018, mas só em setembro o website ficou online. «Para os nossos parceiros, o projeto está vivo muito antes. Inclusivamente, houve um trabalho prévio à constituição da sociedade, para percebermos se, do lado da indústria, era interessante, se era pertinente e fazia algum sentido», explica, ao Jornal Têxtil, Reinaldo Moreira, diretor-geral e um dos fundadores da Springkode, juntamente com Francisco Pimentel e Miguel Pinto.

A ideia inicial surgiu com um simples presente de Natal. «Em 2017, a minha sogra ofereceu-me um par de meias e, mais tarde, confidenciou-me que as tinha comprado diretamente a uma fábrica», recorda Reinaldo Moreira, que assume que, durante a infância e a adolescência, tinha sido cliente das chamadas “lojas de fábrica”. «Foi um clique que se deu com aquele par de meias, porque aqui é relativamente normal as pessoas irem comprar a uma fábrica. Foi natural», assume.

Oferta em crescimento

A plataforma agrega, neste momento, oito empresas – desde as que aderiram logo no início, como a Tiva, a Lagofra e a TMR, às que se juntaram entretanto, como a Irmãos Rodrigues e a Sixexport, até às recém-chegadas A. Ferreira & Filhos, António Manuel de Sousa e Marfel. Estas duas últimas contribuem também para um novo capítulo na Springkode, que até agora só oferecia moda de senhora [em julho lançou a oferta de homem].

«Queremos continuar a reforçar a oferta que temos de mulher, queremos abrir homem e vamos fazê-lo a breve prazo. Queremos abrir também calçado e bijuteria. Pode não ser este ano mas está também no horizonte completarmos a oferta, porque achamos que são produtos complementares à roupa», justifica Reinaldo Moreira.

Com mais de 100 modelos disponíveis, a Springkode procura lançar novidades com grande frequência. «Fotografámos 50 ou 60 peças por dia em estúdio e vamos fazendo a gestão – podemos guardar algo para irmos paulatinamente acrescentando ao website, por forma a termos novidades», revela. As estações do ano, embora não sejam esquecidas, têm uma importância reduzida. «Tentamos trabalhar numa lógica mais de slow fashion», assume.

Empresas no comando

As peças são desenhadas e escolhidas pelas empresas que trabalham com a Springkode, embora sob orientação da startup, e os envios são diretamente processados pelos parceiros, alertados previamente da encomenda. «A fábrica é livre de fazer a gestão. Não há uma obrigação de expedir a peça em 24 horas, mas por norma acontece, porque as fábricas percebem a importância que isso tem, ir ao encontro da expectativa que se gera num cliente a partir do momento em que ele paga», esclarece.

Quanto ao stock, «aqui como nos outros marketplaces, pertence às fábricas. São elas que fazem as propostas, são elas que desenvolvem, são elas que dizem as quantidades que vão produzir, são elas que dizem o preço pelo qual vão vender», indica o diretor-geral da Springkode. «Temos uma salvaguarda que permite aos parceiros estarem a trabalhar connosco certos de que não haverão produtos absolutamente dissonantes daquilo que se está a pretender fazer e que possam comprometer a sua performance – isto na ótica de termos uma ideia mais concreta de quem é o cliente e qual é a oferta que estamos a dirigir a esse cliente», acrescenta.

As empresas podem ainda conjugar a produção de novos modelos para as alturas que lhes forem mais convenientes. «Não temos a lógica, porque isso não faz parte da nossa forma de trabalhar, de impingir timings. Preferimos que a fábrica se sinta confortável e diga “vou ter aqui um abrandamento de produção nesta altura, por isso posso considerar fazer uns desenvolvimentos novos ou reforçar o stock de alguma peça que está a vender bem”. As fábricas têm que estar sempre confortáveis e trabalharem nessa zona de conforto», afirma Reinaldo Moreira.

Internacionalizar nos planos

Além de Portugal, que representa 85% do negócio, a Springkode já concretizou várias vendas para outros mercados, nomeadamente Espanha, França, Reino Unido, Grécia, Letónia e EUA. «Acreditamos que esta é a grande mais-valia do online, a nossa capacidade de irmos além das barreiras físicas e muitas vezes também além das barreiras linguísticas e culturais, e permitirmos que a Tiva, a Lagrofra, a TMR e os Irmãos Rodrigues, que estão connosco na plataforma, possam vender e possam levar o seu produto a qualquer parte do mundo. Ainda não é essa a realidade mas é para lá que caminhamos», garante.

Quanto a metas, a primeira passa pelo número de parceiros associados, mas não só. «Queremos chegar ao final do ano com 10 parceiros, queremos chegar com senhora devidamente consolidado, com homem já lançado e também atingir uma fase de estabilização em termos de oferta, coerência, quantidade e diversidade», resume Reinaldo Moreira. Quanto aos números, no final de 2019, a Springkode espera ter 1.000 visitas diárias ao site – atualmente rondam as 800 – e uma taxa de conversão de 1%, para um volume de negócios que poderá atingir 350 mil euros.

Para o futuro, a internacionalização ao nível dos parceiros está em cima da mesa. «Temos algumas fábricas alinhadas em Espanha, estamos a fazer alguns contactos. Mas o nosso foco, por agora, continua a ser explorar o que há aqui em Portugal», admite. «Gostávamos que este projeto fosse sentido pelos parceiros como sendo deles. E nessa medida, gostamos de pensar que as fábricas portuguesas têm tudo para criar as suas marcas, para fazer valer a qualidade do seu produto e o seu know-how», sublinha Reinaldo Moreira. «Gostava que a Springkode, a médio e longo prazo, tivesse um contributo para a reflexão, para uma aposta mais forte e mais audaz na geração de valor para o sector», conclui o diretor-geral da plataforma de comércio eletrónico.

Reinaldo Moreira com Maria, Paula e Joana Gomes