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Stocks de algodão em queda

Os níveis mundiais de algodão deverão cair para 21,1 milhões de toneladas até ao final da época 2020/2021, com o consumo a dever ultrapassar a produção. O comércio internacional deverá aumentar, o mesmo devendo acontecer com o preço médio, cujas projeções dão conta de uma subida.

[©Flickr/CIFOR]

A previsão de consumo de algodão foi revista em alta este mês, de 24,2 milhões de toneladas para 24,5 milhões de toneladas, e «embora o aumento projetado de 7% em termos anuais não seja suficiente para compensar as perdas provocadas pela pandemia de Covid-19, deverá ultrapassar a produção, levando assim a uma queda dos stocks no final da época», explica o International Cotton Advisory Committee (ICAC) no resumo da edição de março da publicação Cotton This Month.

De acordo com esta atualização, os níveis de stock deverão descer 1%, para 21,1 milhões de toneladas face à última época – mantendo o valor indicado em fevereiro. Ainda assim, os stocks mantêm-se em alta: no histórico das últimas cinco épocas, é o segundo valor mais alto, depois de terem registado 18,7 milhões de toneladas em 2016/2017, 18,8 milhões de toneladas em 2017/2018, 18,6 milhões de toneladas em 2018/2019 e 21,4 milhões de toneladas em 2019/2020.

Ao mesmo tempo, o ICAC projeta um aumento do comércio mundial. Tanto a China como o Paquistão deverão aumentar as importações, com a primeira a beneficiar da diferença entre o algodão doméstico e o estrangeiro e o último devido a uma diminuição na produção doméstica.

Este mês, a projeção do ICAC para a média do ano 2020/2021 do A Index é de 0,757 dólares por libra (cerca de 1,41 euros por quilo), um valor que tem vindo a subir nos últimos meses: em fevereiro, a projeção apontava para 10,735 dólares por libra e em dezembro para 0,694 dólares por libra.

Kai Hughes [©Kai Hughes Twitter]
Criado em 1939, o ICAC é uma associação de países produtores, consumidores e comerciantes de algodão, que tem como objetivos ajudar os países-membros a manter uma economia mundial de algodão «saudável», dar transparência ao mercado de algodão e fornecer informação sobre a produção de algodão.

O mais recente membro desta associação é o Sudão, que em janeiro se tornou no 29.º membro do ICAC e no 12.º em África. «Temos estado a trabalhar continuamente com o Sudão para lhe permitir juntar-se ao ICAC e depois de um ano de esforço de todas as partes, conseguimos», explica Kai Hughes, diretor-executivo do ICAC. «Estou grato a todos os que tornaram isto possível», afirma Hughes, adiantando ainda que «o ICAC desenvolveu vários projetos inovadores ao longo dos últimos anos que irão beneficiar muito o Sudão».