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Streetwear luta para manter a sua posição no mercado

Ontem vintage. Hoje rock. Amanhã punk. As tendências chegam e desaparecem cada vez mais depressa. Os jovens estão mais informados do que nunca e procuram sobretudo o look das estrelas e o que vêem na Internet. A H&M já tornou este sonho realidade. Num tempo recorde, o gigante vertical sueco apresenta nas suas quase 300 lojas cópias das tendências que acabaram de desfilar nas passerelles. Como é que as marcas de jeans/streetwear podem acompanhar empresas que há poucas épocas atrás apresentavam apenas duas colecções por ano? Apesar de a grande maioria destes comerciantes obter cerca de 70 por cento do seu volume de negócios no denim já não é suficiente oferecer apenas jeans e camisas básicas. É necessário apresentar e oferecer um estilo de vida. Até há bem pouco tempo eram estas marcas que lançavam as tendências no mercado, mas agora muitas “perderam” o comboio e apresentam algumas vezes ofertas que os jovens já viram nas estruturas verticais na época passada. A este timing incorrecto é preciso acrescentar a dificuldade de obter determinado artigo prontamente. A rapidez é um factor chave, mas a indústria afirma que o processo criativo precisa de tempo. As marcas que querem manter-se na moda e em voga têm de acompanhar o ritmo acelerado das ruas. Os especialistas defendem que é necessário ter a capacidade de antecipar. O problema está identificado: a maior parte dos comerciantes queixa-se da pontualidade da entrega, datas de entrega faseadas e programas de gestão de stocks deficientes. A G-Star é um caso excepcional. Com o seu slogan “Raw denim” (denim cru) e um desenvolvimento contínuo da sua colecção, os holandeses desenvolveram uma marca distinta relativamente independente das “flutuações” da moda.Existem outros casos de equilíbrio entre a moda e o básico. «O nosso objectivo não é ser intemporal, mas tudo se tornou mais rápido. Também fomos afectados pelas estruturas verticais. Temos de nos aproximar mais do mercado», afirma Michael Strehler da Levi’s. A Pepe Jeans reagiu prontamente e criou em Londres a sua equipa própria de design para programa breves. «Com o nosso programa de quick-response (resposta rápida) conseguimos vendas espectaculares», afirma Uwe Boser. A Mavi Jeans alcança actualmente 20 por cento do seu volume de negócios com artigos de entrega rápida. O comércio reconhece os esforços da indústria para se adaptar ao ritmo mais rápido, mas também deseja maior flexibilidade e preços mais moderados. Os comerciantes de jeans/streetwear já se aperceberam da necessidade de transmitir um estilo de vida, uma imagem e por isso alargaram a sua oferta a outros produtos como cintos, sapatos, óculos de sol e bijutaria. A G-Star vai lançar uma linha de calçado. A Miss Sixty lançou recentemente uma fragrância. A Mustang comercializa têxteis-lar. Num ponto a indústria e o comércio concordam: a criação de um estilo de vida esconde imenso potencial. O consumidor tem de ser inspirado e provocado para comprar. O estímulo diminui a avareza.