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Sucesso sem crise

A Inditex registou um crescimento de 4% nos lucros para os primeiros nove meses do ano fiscal a taxas de câmbio constantes, não atingindo as previsões dos analistas mas transmitindo, ainda assim, uma mensagem optimista para o quarto trimestre. O maior retalhista de vestuÁrio da Europa revelou também que as vendas nas primeiras semanas do último trimestre mostram os mesmos padrões de crescimento das do terceiro trimestre, comentÁrios que os analistas descrevem como encorajadores, num contexto de queda acentuada do consumo mundial. Isso, de facto, é muito positivo, porque em Novembro a maior parte dos países registou uma retracção nas vendas de vestuÁrio», afirma Anne Critchlow, analista na Société General. Os lucros dos primeiros nove meses de 2008 atingiram os 843 milhões de euros, um valor ainda assim mais baixo do que o antecipado pelos 11 analistas consultados pela Reuters, que apontavam, em média, para lucros de 865,4 milhões de euros. Os analistas estimavam ainda que as vendas comparÁveis do terceiro trimestre estagnassem ou crescessem até 1%. O Ebidta situou-se nos 1,55 mil milhões de euros, com vendas de 7,35 mil milhões de euros (mais 14% a taxas de câmbio constantes), impulsionadas pela agressiva taxa de aberturas de novas lojas do grupo. O Ebidta e as vendas ficaram em linha com as previsões, com os analistas a afirmarem que os lucros foram, provavelmente, afectados por um aumento dos custos devido aos juros mais elevados. Os resultados são positivos no geral, talvez os lucros tenham sido ligeiramente mais fracos do que o esperado devido ao nível mais elevado dos custos com juros e a maiores custos dentro do negócio», explica Chris Walker, analista na Nomura. Por seu lado, Richard Chamberlain, analista na JP Morgan, refere que os gastos operacionais sugerem que os custos de abertura de novas lojas estão a aumentar. A Inditex, cujas insígnias passam desde a marca de gama mais alta Massimo Dutti ao conceito de moda juvenil Bershka, abriu 456 lojas neste período de nove meses, mais 45 do que em igual período de 2007. O grupo galego mostrou-se, até agora, relativamente imune ao acentuado abrandamento mundial do consumo, graças a uma taxa de abertura de lojas muito elevada e a um modelo de negócio que lança versões a preços baixos das últimas tendências na passerelle. Na loja Zara em Madrid, a última colecção, com moda para as festas de Natal que se aproximam, inclui cardigans com lurex a 24,90 euros, sapatos com salto em pele de leopardo por 59,90 euros e um vestido em renda preto por 69,90 euros. A rival da Inditex, a H&M, também apresentou, em Novembro, uma quebra inferior à esperada nas vendas de Outubro, aumentando as expectativas de que o seu foco em vestuÁrio de custo baixo a proteja da quebra do consumo. A Gap Inc, que “luta” com a Inditex pelo título de maior retalhista de vestuÁrio do mundo, registou também, no terceiro trimestre, um lucro maior do que o esperado, ajudada por um inventÁrio mais reduzido e pelo corte de despesas, apesar das vendas terem caído quase 8%. A Inditex revela-se, assim, satisfeita com os resultados conseguidos, como explicou Pablo Isla, vice-presidente e director-executivo do grupo, na conferência de apresentação dos resultados. Tanto Isla como o director financeiro, Antonio Rubio, destacaram a solidez do negócio, patente sobretudo na abertura de lojas neste período, e a consolidação da expansão da empresa em novos mercados – a Inditex praticamente duplicou o número de lojas na Rússia desde o início do ano. No total, o grupo detém agora 4.147 lojas em 71 países. Isla admitiu, no entanto, que a situação não é igual em todos os países onde a Inditex tem negócios, destacando o mercado espanhol, onde foram abertas este ano 10% do total de lojas inauguradas durante o exercício. Uma questão que se pode tornar um problema, jÁ que os economistas antecipam que Espanha, que representa 35% do negócio da Inditex, entre em recessão ainda este ano. As vendas de vestuÁrio e acessórios em Outubro no território espanhol registaram uma quebra de 7,6%, mais do triplo da taxa de declínio do mês anterior, apesar dos dados mostrarem que as grandes cadeias estão a ganhar quota de mercado às lojas independentes. Os clientes na loja Zara em Madrid revelaram, contudo, que não estão necessariamente a comprar mais na Zara para aproveitarem os preços competitivos nestes difíceis tempos económicos. Sempre comprei na Zara porque sempre foi mais barata, mas não por causa da crise», afirma a hospedeira Elena Elizalde, enquanto olha para uma estante cheia de calças a 29,90 euros. A estratégia é a mesma de muitos outros consumidores: o que estou a fazer é comprar menos de tudo em geral».