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Sudeste da Europa conquista produção de luxo

Países como a Bulgária e a Roménia estão a posicionar-se como fornecedores de marcas francesas e italianas topo de gama. As perspetivas de crescimento do sector do luxo encorajam as empresas da região a focar os seus esforços em atrair clientes de uma gama mais elevada, concorrendo nomeadamente com Portugal.

Os países do sudeste da Europa, como a Bulgária e a Roménia, além de outros dos Balcãs, estão-se a posicionar para ajudar marcas conceituadas a conseguir responder aos ciclos atuais da moda, mais rápidos. Estas nações já estão a atuar no segmento do luxo, produzindo para grupos sedeados em Paris e Milão, por exemplo. Os produtos mais básicos começam a ser menos competitivos para estes grupos, face aos que são praticados por empresas chinesas, turcas e, também africanas.

E é aqui que atua a fábrica de Miglena Hristova, perto do Danúbio, na Bulgária. «No segmento do luxo fazemos menos peças, mas são mais lucrativas e é por isso que queremos produzir para esta área», explica, à Reuters, Hristova na sua fábrica em Rousse, onde cerca de 40 trabalhadores cosem vestidos, tops e casacos compridos.

A empresária búlgara garante que as encomendas de marcas de luxo estão a aumentar e revela ter investido em tecnologia para fazer face aos pedidos, assim como na produção de vestuário à mão, que subcontrata.

Miglena Hristova também instalou uma sala de provas, novas casas de banho e renovou a cantina da fábrica, para reter colaboradores tentados por outro tipo de trabalho, com salários mais elevados. Para as marcas, a vantagem de recorrer a países europeus de proximidade não advém dos salários mais baixos e sim de questões relacionadas com qualidade dos produtos e condições de trabalho.

«A conveniência e a proximidade são apenas dois dos critérios usados pelo grupo para escolher os fornecedores. As características fundamentais são a qualidade, confiança e o respeito pelos códigos de conduta da companhia», explica a empresa italiana Armani, que conta com fornecedores na Europa de Leste.

Antigamente, as marcas tinham meses para apresentar as coleções, mas agora dependem de influenciadores nas redes sociais, cujo público tem muita oferta e está sempre à procura de algo novo. «É preciso produtores diferentes, com mais capacidades e menos tempo de produção», afirma Achim Berg, que lidera o departamento especialista nesta área da McKinsey.

Quase 80% de 200 executivos da indústria inquiridos pela consultora apontam a proximidade no sourcing como uma tendência crescente. «Isto beneficia produtores do sudeste da Europa», assegura Berg.

A indústria têxtil debate-se, todavia, com alguma fuga de pessoal qualificado. Na Bulgária, só no primeiro semestre do ano passado, foram quatro mil os trabalhadores que abandonaram o sector.