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Supreme aposta em fios inteligentes

Os fios condutores da Supreme Corporation, integrados na unidade de negócio Volt Smar Yarns, estão a chegar ao mercado, depois de, na apresentação no ano passado na feira Industrial Fabric Association, terem arrecadado o prémio Show Stopper. Saúde e desporto são dois dos sectores que estão a ser explorados.

Passou pouco mais de um ano desde que a Supreme Corporation, sediada na Carolina do Norte, EUA, lançou os seus produtos Volt Smart Yarns na feira internacional da Industrial Fabric Association, o que trouxe publicidade e favoreceu uma série de desenvolvimentos positivos nos meses seguintes. A Cotton USA, por exemplo, escolheu a Volt para a campanha de marketing “What’s New In Cotton”, dando ao fio publicidade mundial nos próximos dois anos.

A Supreme estabeleceu uma parceria com a Textile Instruments, especialista na fabricação de instrumentos para medição de têxteis e que está a usar tecnologia de sensorização licenciada pela NASA para criar um novo tipo de tecnologia wearable com sensores sem recurso a baterias ou eletricidade. A Textile Instruments vai criar tecidos que monitorizam a saúde usando sensores e os fios Volt Smart Yarns. Através da parceria, os sensores podem ser facilmente adicionados a tecidos ou materiais existentes, para a monitorização sem fios do estado de saúde. Nos testes iniciais, os fios da Volt funcionaram 99,9% das vezes – com utilização potencial em produtos produzidos em colaboração, incluindo lençóis para berços de bebés, produtos de incontinência para adultos e lençóis que podem medir os sinais vitais para hospitais.

Wearables ainda longe

Matt Kolmes, CEO da Supreme, adianta que embora algumas grandes marcas de sportswear estejam com pressa para comercializar wearables, há alguns obstáculos a superar. Há, explica, uma sensação generalizada de que a tecnologia estagnou por causa de previsões de há alguns anos que não foram cumpridas, que diziam que os wearables seriam hoje omnipresentes. Mas há várias questões por resolver, incluindo a possibilidade de lavar eletrónica, que continua a ser um grande desafio.

«Outra questão que sentimos na nossa pequena visão sobre o universo é que as empresas querem aquecer o vestuário. O problema é o tamanho da bateria. Se tiver um wearable e quiser aquecê-lo, isso exige uma quantidade relativamente grande de energia se se quiser usá-lo durante horas. Os pontos de ligação são uma grande dificuldade. São normalmente frágeis e é necessário um substrato intermédio entre os pontos de ligação. Há empresas que estão a fazer um trabalho fantástico e sinto que muitos desses problemas podem ser resolvidos», afirma, ao just-style.com, Kolmes, acrescentando que está impressionado com o que viu recentemente em têxteis inteligentes e wearables na Conferência Wear, em Nova Iorque.

O CEO da Supreme acredita, no entanto, que a indústria de vestuário está a aprender juntamente com as marcas e empresas de I&D irão criar protótipos que vão levar ao desenvolvimento de produtos funcionais. «Estamos a apressar-nos, mas ainda estamos muito no início. Fizemos algumas coisas impressionantes com o fio e, em termos de protótipos, não estamos mais longe do que os outros», considera Matt Kolmes.

O fio da Supreme

A Supreme, especialista em revestimento de fios, evoluiu consideravelmente ao longo das décadas. Começou como uma operação para revestir elásticos e mudou ao longo dos anos devido à matéria-prima utilizada. No final dos anos 80, começou a trabalhar com fios de alta resistência à tensão e depois passou para fios resistentes ao corte.

A empresa privada detém 185 patentes em 60 países e, atualmente, tem 60 patentes ativas em fios e tecidos de alta tecnologia, com mais 15 a aguardar a aprovação para patente.

Matt Kolmes aponta que no centro da Volt se encontra um fio compósito com elevada engenharia que foi desenvolvido no trabalho para fornecedores de equipamentos militares e agora está a disseminar-se em diversas áreas, incluindo a saúde e o desporto. A Volt evoluiu a partir de uma linha termocolada vendida para aplicar em colchões resistentes à chama.

«Percebemos que sabíamos um pouco de linha de costura», explica o CEO da Supreme. «É um mecanismo de entrega perfeito para filamentos extremamente finos em cobre. Começámos com dois desses filamentos na nossa linha de costura e percebemos que o cliente queria mais, por isso aumentámos para quatro. Eles queriam um fio ou uma linha que pudesse enviar sinais», justifica.

Ao recolher a energia destes filamentos de cobre altamente condutores, os fios e linhas de costura resultantes são trabalhados para serem usados com máquinas de costura comerciais e podem ser incorporados em tecidos ou malhas que aquecem, controlam o volume, interagem com tecnologia sem fios e tornar-se sensores de impacto e toque.

«Se nomear uma fibra exótica de alta performance, nós trabalhamos com ela diariamente», garante Kolmes. «Apresentamo-nos como uma casa de I&D para outras marcas. Isso inclui a indústria de luvas resistentes ao corte, empresas de sportswear e de vestuário convencional. Vemos o lado do negócio do fio a crescer e é empolgante», confessa.

A Supreme está agora a firmar parcerias com várias empresas que querem incorporar os fios Volt nas suas gamas de produtos em 2020 ou 2021. Mas, revela o CEO, o que se sente é que as empresas não estão a perceber muitas variáveis na equação e a Supreme espera colmatar essa falha. «Há uma enorme distância entre as pessoas dos têxteis e as pessoas da eletrónica», sublinha Matt Kolmes. «Simplesmente não falam a mesma língua. É por isso que se vê muita comercialização de tecnologia wearable», acrescenta.

Destacando que a prototipagem é dispendiosa, Kolmes afirma que a Supreme percebeu que tinha de abrir um novo caminho com a Volt ao desenvolver relações de trabalho com empresas na área da eletrónica. «Penso que temos de dar a estas empresas produtos que funcionem e, uma vez que somos pessoas dos têxteis, isso forçou-nos a fazer alianças com quem trabalha com eletrónica no dia a dia. Desenvolvemos uma rede de empresas nas quais confiamos para fazer a prototipagem e podermos ver o produto do início ao fim. É muito interessante e levou-nos para direções que pensávamos nunca ir», admite.

Ir mais longe

O CEO da Supreme considera que não mudou muita coisa no vestuário de desporto que usa têxteis inteligentes desde 2007, com o Fitbit. E reconhece que desde então tudo foi “aparafusado” na tecnologia. «No sportswear, toda a gente está interessada em dados. O mundo está viciado em alta tecnologia e isso vai melhorar e crescer. As empresas mais inovadoras estão a usar vestuário inteligente para medir a performance. Se for um golfista, pode usar o seu vestuário como treinador para medir a rotação das ancas», exemplifica.

Matt Kolmes afirma ainda que o vestuário inteligente está a ser usado para medir várias categorias, incluindo a fadiga, a hidratação e o ritmo cardíaco. «Estamos a dar pequenos passos», sublinha. «Daqui a dois ou três anos, a Volt vai ser uma parte significativa do nosso negócio. Se todos os números sobre tecnologia wearable estiverem corretos, o mercado valerá entre 5 e 10 mil milhões de dólares [4,4 a 8,8 mil milhões de euros, aproximadamente] em cinco anos. Essa é a razão pela qual estamos interessados em estar presentes. Queremos ir mais longe», conclui.