Início Notícias Tecnologia

Surf mais seguro e monitorizado

Maior proteção, conforto e monitorização do desempenho dos atletas são características dos novos fatos para a prática de surf em ambientes adversos desenvolvidos pela Damel, a Fraunhofer Portugal e o CITEVE, que servem não só o surfista mas também o técnico de apoio.

Gilda Santos

Os novos fatos foram desenvolvidos no âmbito do Texboost e respondem a uma necessidade do mercado. De acordo com os dados da Federação Portuguesa de Surf, citados na página do Texboost, existem em Portugal cerca de 11.500 atletas federados, um total de 165 clubes e 365 escolas, três associações nacionais e 100 atividades organizadas anualmente pela federação, antevendo-se uma tendência de crescimento neste tipo de prática. A Organização Internacional de Surf, por seu lado, estima que existam cerca de 23 milhões de praticantes da modalidade em todo o mundo.

A atividade está, contudo, sujeita a diferentes riscos e segundo o National Weather Service, desde 2014 já ocorreram mais de duas centenas de acidentes que resultaram na morte de surfistas só em território norte-americano

Esse foi o motivo que levou as três entidades a avançarem para «o desenvolvimento de vestuário inteligente para a prática de surf em ambientes adversos com características com proteção, conforto, monitorização do desempenho do atleta», como descreveu na apresentação dos resultados Gilda Santos, technical project manager no CITEVE, que destacou ainda «o sistema de monitorização e alarmística wearable».

Ao nível do têxtil, o fato de surf traz uma solução alternativa ao tradicional neoprene, recorrendo a silicone, com resultados muito semelhantes em termos de impermeabilização, resultando num «material que poderá ser um potencial substituto do neoprene», acredita Gilda Santos. Ao «nível da resistência à abrasão conseguimos bons resultados, mesmo após algumas semanas em água salgada».

Inteligência no mar

O fato contempla ainda um sistema de monitorização ativa, com um botão de emergência localizado na zona do pescoço e um espaço para a introdução de um smartphone nas costas.

Ricardo Graça [©Citeve]
Uma das inovações desta proposta é, de resto, a possibilidade de monitorizar a performance do surfista com uma solução que recorre ao telemóvel do próprio surfista. «Para conseguirmos desenvolver os algoritmos temos que fazer recolha de dados com utilizadores finais. Conseguimos recolher mais ou menos 25 horas de dados de sensores inerciais, num total de 17 sessões de surf, que nos permitiu através disso e de métodos de sensorfusion [o processo de usar algoritmos para combinar dados de um ou mais sistemas] ter deteção de eventos como ondas e estados de deitado, sentado e até estados com remada», explicou Ricardo Graça, investigador da Fraunhofer Portugal. «Com isso conseguimos extrair o número de ondas, os estados de rotações, velocidades máximas e médias», acrescentou.

Através da aplicação móvel, que tem os algoritmos embutidos, o surfista consegue monitorizar a sessão, mas também gerir a sua conta e ter acesso ao histórico das sessões. Já a aplicação web foi pensada para ser usada pelo treinador, que consegue mesmo seguir a sessão em tempo real do surfista.

O botão de emergência, que está integrado com a app móvel, «devido a restrições nativas dos sistemas operativos, teve que ser ligado por USB e para ter resistência à água salgada, e mesmo à água em geral, tivemos que o revestir com silicone», desvendou Ricardo Graça.

Os testes demonstraram «uma precisão de deteção de ondas de 97% e nos testes em ambiente controlado e real conseguimos detetar com precisão todos os eventos», avançou o investigador.

Além do fato do surfista, o fato para o técnico de apoio tem igualmente diversas particularidades, incluindo um sistema nos pés que o torna menos derrapante, um sistema de insuflação ativa incorporado e um sistema de aquecimento ativo «com autonomia para cerca de 3 horas, pesando cerca de 200 gramas, com dois níveis de aquecimento à volta dos 22 ºC e dos 28 ºC», revelou Gilda Santos. O fato é ainda reforçado com Cordura nas zonas de maior desgaste, «para permitir aumentar a durabilidade» e na parte de trás contempla uma mochila para primeiros socorros e um sistema «que vai permitir o resgate» em caso de acidente, que «foi testado sem qualquer problema», concluiu a technical project manager do CITEVE.